Política
A nova crítica de Lula a invasão da Venezuela pelos EUA
O presidente manifestou preocupação com a prevalência da ‘lei do mais forte’ nas relações internacionais
O presidente Lula (PT) subiu o tom contra seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que a América Latina não abaixará sua cabeça para nenhum País do mundo. Além disso, chamou a invasão da Venezuela pelos EUA de “falta de respeito” e manifestou preocupação com a prevalência da “lei do mais forte” nas relações internacionais.
As declarações foram dadas nesta sexta-feira 23, durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, em Salvador. Na ocasião, o governo anunciou medidas para a reforma agrária, a exemplo do plano para desapropriação de terras.
Durante o discurso, Lula disse ainda não acreditar na ação norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa. “Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um País. Não existe isso na América do Sul, somos um território de paz. A gente não tem armas nucleares, não tem bomba atômica, mas tem caráter e dignidade e não vai abaixar a cabeça pra ninguém”, afirmou. “Quem quer que seja, a gente vai conversar olho no olho de cabeça em pé respeitando o povo brasileiro e a nossa soberania. Isso vale para todos os países do mundo”.
O presidente também afirmou que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político e declarou que a Carta das Nações Unidas está sendo “rasgada”. Segundo Lula, Trump “está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, como se ele sozinho fosse o dono da ONU” – uma referência ao Conselho de Paz, criado pelo chefe da Casa Branca.
Lula e outros líderes internacionais foram convidados a integrar o colegiado. De acordo com o governo dos EUA, mais de 20 países já sinalizaram positivamente à proposta. O entorno do petista, no entanto, ainda avalia como responder ao convite.
No evento em Salvador, o presidente ainda pontuou que os contatos diplomáticos feitos por ele nas últimas semanas busca articular uma reação ao que considera “enfraquecimento do multilateralismo”. Nesta semana, o mandatário conversou ao telefone com o líder chinês Xi Jinping, com o premiê da Índia, Narendra Modi, e com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.
De acordo com Lula, o objetivo dessas conversas é avaliar a possibilidade de uma reunião internacional que reafirme o compromisso com o multilateralismo e evite que as relações entre países passem a ser regidas pela força militar, pela intolerância ou por imposições unilaterais.
O chefe do Executivo federal afirmou ainda que a política externa do Brasil não se baseia em alinhamentos exclusivos e busca construir relações com diferentes países, independentemente das orientações ideológicas, mas sem subordinação. “O que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
‘O povo reconhecerá seus esforços’: o afago de JHC, do PL, a Lula
Por Wendal Carmo
Xi Jinping liga para Lula e defende atuação conjunta em defesa da ONU e do multilateralismo
Por Vinícius Nunes



