Política
PT estuda solução caseira em Minas, mas mantém a expectativa pelo ‘sim’ de Pacheco
Reitora da UFMG é uma opção, embora dirigentes contem com uma ‘última ofensiva’ sobre o senador
Diante da indefinição de Rodrigo Pacheco (PSD) sobre a corrida ao governo de Minas Gerais, caciques do PT no estado têm buscado alternativas para a sucessão de Romeu Zema (Novo). Um dos nomes ventilados internamente é o de Sandra Aguiar, reitora da UFMG, até então cotada para concorrer a uma vaga na Câmara.
Contribui para essa possível candidatura o fato de a professora ser vista como uma novidade no cenário eleitoral mineiro, sem histórico de derrotas ou desgaste público, o que, na avaliação interna, tende a manter baixos os índices de rejeição. Seu perfil técnico e acadêmico é bem avaliado por setores do partido que defendem a adoção de uma solução caseira.
Com mais de 16 milhões de eleitores e fama de “termômetro” nas presidenciais, Minas é um terreno estratégico.
A CartaCapital, Sandra disse que tem dialogado com lideranças políticas do estado, mas segue focada em terminar seu mandato na UFMG. “A menção ao meu nome é recebida com satisfação, pois creio ser resultado do trabalho sério e reconhecido na universidade. Mas qualquer construção nesse sentido precisa ser feita de forma coletiva e estou disposta a dialogar após encerrar minha gestão.”
Outro potencial candidato sondado é o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, mas as conversas não avançaram.
Apesar de ter intensificado as buscas por uma alternativa, o PT ainda mantém a esperança de que Pacheco mude de ideia e aceite o convite de Lula para concorrer ao governo estadual. Há muito o senador é visto como uma figura competitiva por seu perfil moderado e pela boa relação com prefeitos de diferentes partidos, inclusive de direita.
É o motivo pelo qual Lula e a cúpula do PT no estado insistem nele como candidato para reforçar a campanha do presidente à reeleição. Até aqui, Pacheco resiste. Ele afastou a possibilidade de ser “candidato solo”, sem uma ampla aliança com partidos de centro, e tinha como principal aspiração ser indicado para o Supremo Tribunal Federal.
Em novembro, comunicado de que não seria escolhido por Lula para a cadeira de Luís Roberto Barroso na Corte, o senador chegou a avisar ao presidente que deixaria a vida pública em 2026 e voltaria a advogar.
Pacheco ouviu de Lula na ocasião que seria importante consultar sua base política no estado antes de bater o martelo. Caciques do PT avaliam que o anúncio não foi para valer. Prova disso é que, nos últimos dias, interlocutores do senador fizeram chegar ao diretório petista a mensagem de que ele ainda considera ser candidato a governador.
Segundo o relato de uma pessoa próxima, o senador tem ouvido aliados, avalia migrar para o União Brasil e deve comunicar sua decisão até o fim de fevereiro.
Lula, por sua vez, planeja um novo encontro com Pacheco nas próximas semanas. Será a última tentativa, de acordo com um ministro. Um dos argumentos que o presidente deve utilizar é o fato de o cenário em Minas estar aberto. Até aqui, são pré-candidatos o vice-governador Mateus Simões (PSD) e o senador Cleitinho (Republicanos).
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