Educação

Jorginho Mello sanciona lei que acaba com as cotas raciais em universidades de SC

O governo do bolsonarista alega que a norma promoverá uma concorrência ‘mais justa’

Jorginho Mello sanciona lei que acaba com as cotas raciais em universidades de SC
Jorginho Mello sanciona lei que acaba com as cotas raciais em universidades de SC
Créditos: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), sancionou, nesta quinta-feira 22, a lei que acaba com as cotas raciais nas universidades públicas do estado.

A Assembleia Legislativa aprovou em 10 de dezembro a proposta, de autoria do deputado estadual Alex Brasil (PL).

Ao anunciar a sanção, o governo catarinense alegou que a lei tornará “mais justa” a concorrência para o acesso às universidades e promoverá a “meritocracia”.

A norma veda a reserva de vagas no sistema de cotas raciais para estudantes e para a contratação de docentes, técnicos e outros profissionais. Em caso de descumprimento, as instituições podem ter de pagar 100 mil reais por edital, além de perder repasses do estado.

Fica excluída da proibição, porém, a reserva de vagas para pessoas com deficiência exclusivamente por critérios econômicos e para estudantes provenientes da rede pública estadual. A medida também não impacta as universidades federais.

Em nota, o Ministério da Igualdade Racial condenou a medida e reafirmou a sua inconstitucionalidade.

“O Ministério da Igualdade Racial expressa sua indignação com a sanção da lei que encerra a política de cotas raciais nas universidades de Santa Catarina e reitera que a medida é inconstitucional, colidindo com diversos normativos promotores de igualdade aprovados e aprimorados nos últimos anos pelo Governo Federal”, escreveu.

O Ministério informou, ainda, que a ministra Anielle Franco acionou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para analisar as medidas cabíveis na direção do restabelecimento da ordem democrática e das garantias constitucionais da população do estado e do Brasil.

“As cotas raciais e as ações afirmativas são a maior política reparatória do Brasil, ações que nas últimas décadas têm transformado a vida de milhares de famílias, dados comprovados em pesquisas científicas”, completou a pasta. “Tentativas de retrocesso nos direitos conquistados serão combatidas veementemente pelo ministério, cuja missão primeira é zelar pela democracia e pela dignidade do povo negro do Brasil, lutando para defender e ampliar políticas públicas consistentes para enfrentar as desigualdades no nosso país”.

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