Política

Flávio, Caiado ou neutralidade: o que deve fazer a federação PP-União em 2026

O grupo sonha com Tarcísio e não deve seguir o PL na disputa presidencial. O PSD, por sua vez, sustenta uma candidatura própria com Ratinho

Flávio, Caiado ou neutralidade: o que deve fazer a federação PP-União em 2026
Flávio, Caiado ou neutralidade: o que deve fazer a federação PP-União em 2026
Superfederação será a maior bancada da Câmara e a segunda maior do Senado. Foto: Divulgação PP
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Eleições 2026

A Federação União Progressista, que engloba os partidos União Brasil e PP, tende à “neutralidade” na eleição presidencial de outubro, conforme apurou CartaCapital. Neste momento, a posição majoritária no grupo é não lançar um postulante contra a reeleição de Lula (PT), não abraçar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e focar nas disputas estaduais e na nova composição do Congresso Nacional para 2027.

No Centrão, cresce a resistência a Flávio, uma vez que a rejeição ao filho de Jair Bolsonaro (PL) é uma das maiores registradas em pesquisas eleitorais. Segundo levantamento Atlas Intel divulgado na quarta-feira 21, 47,4% não votariam em Flávio de jeito nenhum — ele ganharia apenas do pai (50%) e de Lula (49,7%).

Diante desse cenário, o sonho antigo de alas do PP e do União é Tarcísio de Freitas (Republicanos), por ser visto como mais “palatável” e ter a máquina de São Paulo nas mãos. Com a insistência do governador em disputar a reeleição, os partidos tendem a não lançar um candidato e não apoiar ninguém no primeiro turno. 

A prioridade da federação é vencer no Congresso Nacional e eleger mais deputados e senadores. Endossar um postulante na corrida presidencial é visto como prejudicial ao projeto. A ideia é liberar os diretórios estaduais e focar nas chapas proporcionais. 

Sem Tarcísio, o plano B seria Ronaldo Caiado, do União. O governador de Goiás se considera candidato de fato, mas mesmo em seu partido há resistência. Na pesquisa Atlas Intel, no melhor cenário, ele marca 15% das intenções de voto, contra 48,8% de Lula.

Assim, Caiado só seria o candidato da centro-direita com a anuência de todos os caciques da federação, o que não deve acontecer. 

Sobre Flávio Bolsonaro, a avaliação na União Progressista é que se trata de uma pré-candidatura legítima, mas que tende a fortalecer Lula, já que deixaria o eleitor diante de “extremos”.

E o PSD?

No partido de Gilberto Kassab há a certeza da candidatura presidencial do governador do Paraná, Ratinho Junior. Segundo aliados, ele teria a simpatia do mercado e da elite financeira, além de margem para crescer nas pesquisas.

Kassab já afirmou que Ratinho (ou Eduardo Leite, com chances menores) será o candidato do PSD ao Palácio do Planalto. O cacique, no entanto, não descarta uma aliança com Flávio Bolsonaro em um segundo turno. 

Ratinho reúne algumas vantagens objetivas em relação a Tarcísio, o plano A do Centrão. A primeira é institucional: impedido de disputar um terceiro mandato, ele precisará se desincompatibilizar até o fim de março. A segunda é partidária: o PSD se posiciona mais claramente ao centro do que o Republicanos. O terceira trunfo é simbólico: embora seja de direita e tenha apoiado Bolsonaro, o paranaense construiu uma trajetória mais autônoma – vacinou-se contra a Covid-19, por exemplo. Isso amplia seu potencial de diálogo com o eleitor de centro.

Na pesquisa Atlas Intel, porém, Ratinho tem somente 9,4% no cenário mais confortável. O levantamento contou com 5.418 participantes, que responderam questionários online de 15 a 20 de janeiro. A margem de erro é de um ponto percentual. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-02804/2026.

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