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Presidente do São Paulo renuncia ao cargo em meio a investigação sobre venda de camarotes ilegais

O Conselho Deliberativo do clube havia autorizado o início do processo de impeachment de Júlio Casares, que já estava afastado do cargo

Presidente do São Paulo renuncia ao cargo em meio a investigação sobre venda de camarotes ilegais
Presidente do São Paulo renuncia ao cargo em meio a investigação sobre venda de camarotes ilegais
O presidente do São Paulo, Julio Casares, renunciou ao cargo. Foto: Divulgação
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O presidente do São Paulo, Júlio Casares, renunciou nesta quarta-feira 21 ao cargo. A decisão acontece após o Conselho Deliberativo do clube aprovar a abertura de seu processo de impeachment. Ele estava afastado da função desde a decisão do colegiado.

A renúncia ocorre em meio a uma investigação da Polícia Civil contra a venda ilegal de camarotes no Morumbis, estádio do time paulistano, por dirigentes. Na manhã desta quarta-feira, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão que envolvem integrantes do clube. Foram alvo: 

  • Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto de futebol de base do São Paulo;
  • Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares, presidente afastado do clube, e que atuava como diretora feminina, cultural e de eventos; e
  • Rita Adriana, a pessoa que negociava ilegalmente os camarotes, segundo a Polícia Civil.

De acordo com as investigações, com o esquema, o estádio virou uma ‘máquina de caça-níqueis’, favorecendo algumas pessoas, que não o clube, que seria vítima da operação.

O recebimento de uma quantia de 1,5 milhão de reais em dinheiro, por Julio Casares, em depósitos fracionados, estão entre os fatos investigados, bem como um saque de 11 milhões de reais em dinheiro do caixa do clube.

Casares falou sobre a sua decisão em uma carta aberta publicada nas redes sociais. No texto, ele nega envolvimento e afirma que a renúncia não representa uma confissão.

“Não renunciei anteriormente porque entendi ser meu dever exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao contraditório. Enfrentei esse processo de maneira direta, presencial e com dignidade, mesmo diante de um ambiente já contaminado por narrativas previamente construídas”, escreveu, em um trecho.

O agora ex-presidente justificou a renúncia diante da necessidade de proteger sua saúde mental e a família do que chamou de ‘ameaças gravíssimas’.

Leia a carta na íntegra:

“Ao longo de minha trajetória à frente da Presidência do São Paulo Futebol Clube, atuei com absoluta seriedade, firmeza, responsabilidade e compromisso com a defesa da instituição, sempre orientado pelo respeito à sua história, à sua grandeza e à sua torcida.

Nos últimos meses, o clube passou a viver um ambiente de intensa instabilidade, marcado por ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo.

O que se iniciou como versões frágeis e boatos foi sendo reiteradamente reproduzido, amplificado e, gradativamente, tratado como verdade, mesmo sem a apresentação de fundamentos consistentes ou provas robustas.

Formou-se, assim, um contexto de grave contaminação do debate, no qual ilações passaram a ocupar o lugar dos fatos e suposições foram apresentadas como certezas, em um processo que, aos poucos, transformou versões construídas em verdades aparentes.

Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Contudo, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube — fatos que o tempo e a história haverão de registrar.

Esse cenário afetou profundamente a governança do clube e, de forma absolutamente inaceitável, ultrapassou os limites da esfera institucional, alcançando minha família e minha vida pessoal.

Não renunciei anteriormente porque entendi ser meu dever exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao contraditório.

Enfrentei esse processo de maneira direta, presencial e com dignidade, mesmo diante de um ambiente já contaminado por narrativas previamente construídas.

Na prática, a manifestação realizada na tribuna foi o único espaço efetivo que me foi concedido para apresentar minha defesa, em um rito sumário que, ao meu juízo, restringiu a necessária produção de provas e o pleno esclarecimento dos fatos.

A decisão tomada por este Conselho encerra um processo de natureza política.

Respeito essa decisão, ainda que dela discorde, e reafirmo, com absoluta convicção, que jamais pratiquei qualquer irregularidade.

Minha renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram dirigidas.

Diante da continuidade desse ambiente, da necessidade de preservar minha saúde e, sobretudo, de proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas, bem como para evitar que essa disputa política continue a prejudicar o time de futebol e o ambiente esportivo do clube, apresento minha renúncia ao cargo de Presidente, com efeitos a partir desta data, antecipando, inclusive, o exercício do direito estatutário de aguardar a Assembleia Geral.

Faço questão de registrar que deixo um clube esportivamente estruturado, com um time competitivo, que voltou a disputar decisões, chegou a finais e conquistou títulos de grande relevância. Destaco, de forma especial, a conquista da Copa do Brasil de 2023, título inédito e histórico, que simboliza o trabalho sério, responsável e comprometido desenvolvido ao longo da gestão.

Esse desempenho é fruto do esforço conjunto de atletas, comissão técnica e profissionais do clube, aos quais manifesto meu respeito e confiança.

Tenho absoluta convicção de que seguirão honrando essa camisa e lutando por títulos, com o apoio da torcida e da instituição.

Meu afastamento também tem como objetivo permitir que eventuais apurações ocorram de forma ampla, técnica e isenta, sem qualquer alegação de interferência, para que a verdade possa ser plenamente buscada e alcançada.

Reitero, por fim, minha certeza de que o São Paulo Futebol Clube é maior do que qualquer cargo, circunstância ou narrativa construída.

Ao São Paulo Futebol Clube, amor de infância e da minha vida, jamais renunciarei. Renuncio, sim, ao ambiente de conspirações, distorções, mentiras e disputas de poder que ultrapassaram os limites democráticos e tentaram manchar trajetórias, biografias e a própria história do clube.

Despeço-me com respeito, gratidão e amor permanente por esta instituição, que sempre honrarei.

Júlio Casares”

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