Do Micro Ao Macro

Eventos corporativos em 2026 exigem estratégia além da simplificação

Eventos corporativos ganham debate no setor após especialistas alertarem que formatos simplificados reduzem engajamento e memória de marca

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A discussão sobre o futuro dos eventos corporativos ganhou força com a aproximação de 2026. O debate surge em um momento em que a linguagem das redes sociais, marcada por agilidade e informalidade, passa a influenciar decisões de marketing institucional e formatos presenciais adotados por empresas.

Segundo o relatório Digital 2025: Brasil, o país alcançou 144 milhões de usuários ativos em redes sociais. Esse modelo de comunicação, originalmente pensado para telas, começou a orientar estratégias fora do ambiente digital, inclusive na concepção de encontros corporativos.

No entanto, especialistas do setor avaliam que essa transposição pode gerar perdas relevantes quando aplicada sem critério.

De acordo com Felipe Macedo, cofundador e CXO da Alternativa F, a produção de eventos institucionais tem perdido densidade ao longo dos últimos anos.

“Observamos eventos cada vez menores, com ideias e execuções menos elaboradas e menor investimento. Isso resulta em painéis genéricos, cenografia limitada e pouco aprofundamento”, afirma.

Simplificação afeta resultados dos eventos corporativos

Em seguida, o executivo aponta que a redução de complexidade não impacta apenas o formato visual dos encontros. Segundo ele, os efeitos atingem diretamente o engajamento interno, a retenção de talentos, a cultura organizacional e o posicionamento das marcas.

“Quando todos os eventos são parecidos, as marcas passam a se comunicar de forma semelhante. Em um ambiente competitivo, isso dilui identidade e reduz diferenciação”, explica.

Macedo acumula experiência em projetos realizados no Brasil e no exterior, atendendo empresas em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Lisboa e Cancún. Para ele, a repetição de formatos compromete o papel estratégico dos eventos corporativos.

Conexão e memória de marca seguem no foco

Além disso, o especialista reforça que eventos institucionais não se limitam à transmissão de informações. O objetivo envolve criar conexão entre pessoas, engajar públicos internos e externos e gerar memória de marca.

Quando esse propósito se perde, os encontros passam a cumprir função protocolar, sem impacto duradouro para as empresas envolvidas.

A Alternativa F, agência com atuação em eventos corporativos há mais de uma década, acumula prêmios nacionais e internacionais, incluindo Prêmio Caio, FIP Argentina e reconhecimentos em Cannes.

Linguagens diferentes exigem estratégias próprias

Outro ponto levantado envolve o uso indiscriminado da lógica das redes sociais em formatos presenciais. Para Macedo, o erro está em aplicar a mesma estratégia a meios com funções distintas.

“Cada mídia possui linguagem própria, cultura específica e objetivos diferentes. Replicar uma lógica sem adaptação compromete o resultado”, afirma.

Segundo ele, o debate não busca responsabilizar as redes sociais, mas alertar para o uso inadequado de referências digitais em contextos institucionais.

Planejamento estratégico para eventos corporativos em 2026

Ao olhar para 2026, o executivo avalia que empresas precisarão diferenciar o que pode ser simples daquilo que exige aprofundamento. O planejamento de eventos corporativos deve partir de objetivos claros e alinhados à estratégia de comunicação das marcas.

Nesse processo, a inteligência criativa segue como elemento determinante para gerar engajamento e resultados consistentes, respeitando as especificidades de cada formato e público.

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