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Trump descarta uso da força, mas exige ‘negociações imediatas’ para compra da Groenlândia

O presidente dos EUA, porém, insistiu que seu país deve ter ‘a posse’ do território dinamarquês

Trump descarta uso da força, mas exige ‘negociações imediatas’ para compra da Groenlândia
Trump descarta uso da força, mas exige ‘negociações imediatas’ para compra da Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante seu discurso no Fórum de Davos em 2026 – foto: Fabrice Coffrini/AFP
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu, nesta quarta-feira 21, em Davos, a abertura “negociações imediatas” para comprar a Groenlândia. Ele também assegurou que não vai usar a força para tomar o território autônomo da Dinamarca, aliada da Otan.

“Só os Estados Unidos podem proteger esta gigantesca terra, este gigantesco pedaço de gelo, desenvolvê-lo, melhorá-lo”, afirmou o republicano no Fórum Econômico Mundial, a reunião anual da elite política e econômica global.

“Por isso, quero negociações imediatas para voltar a discutir a aquisição da Groenlândia”, assegurou, apesar de a Dinamarca ter reiterado que o território não está à venda. Trump prometeu “não usar a força” para tomar a ilha do Ártico.

O presidente americano também se referiu à Venezuela e disse que seus dirigentes se mostraram “muito, muito preparados” para negociar com Washington após a captura do presidente deposto Nicolás Maduro, acusado de narcotráfico e que será julgado em Nova York.

“Os líderes do país têm sido muito bons (…), muito, muito preparados”, afirmou. “A Venezuela vai ganhar mais dinheiro [com o petróleo] nos próximos seis meses que o que fez nos últimos 20 anos”, acrescentou o republicano.

Os líderes europeus reunidos na Suíça uniram-se contra a postura agressiva do republicano. O presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu, na terça-feira, fazer frente aos “valentões” e a UE prometeu dar uma resposta “firme”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiterou, nesta quarta, que o continente deve romper com sua “prudência tradicional” em um mundo dominado pela “força bruta”.

Adotando um tom mais conciliador, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que não poupa elogios a Trump, recomendou uma “diplomacia ponderada” como “a única forma de lidar” com “as tensões” sobre o futuro da Groenlândia.

Um executivo da gigante da tecnologia Meta avaliou, por sua vez, que seria “autodestrutivo” a União Europeia atingir as ‘big techs’ americanas em represália à ameaça de Washington de impor tarifas a países que se opuserem a uma anexação da Groenlândia.

‘Subordinar a Europa’

Trump insiste em que a Groenlândia, uma ilha rica em recursos minerais, é “vital” para a segurança dos Estados Unidos e da Otan frente à China e à Rússia, à medida que o Ártico derrete e as superpotências competem por uma vantagem estratégica nesta região.

O presidente americano aumentou a pressão, ao ameaçar com novas tarifas de até 25% oito países europeus por apoiarem a Dinamarca, entre eles Reino Unido, França e Alemanha.

Por outro lado, Trump relativizou as ameaças europeias de ativar seu mecanismo anticoercitivo conhecido como “bazuca comercial” contra os Estados Unidos.

“Qualquer coisa que fizerem conosco (…), tudo o que preciso fazer é responder e isso se voltará contra eles”, disse, em entrevista à News Nation.

Usando óculos escuros por causa de uma lesão nos olhos, Macron advertiu, na terça-feira, em Davos, contra as tentativas dos Estados Unidos de “subordinar a Europa” e qualificou a ameaça de novas tarifas como “inaceitável”.

Nesta quarta-feira, a França pediu, ainda, “um exercício da Otan” na Groenlândia e disse que que “está disposta a contribuir com ele”, informou a Presidência.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, por sua vez, foi ovacionado, ao advertir no fórum suíço que “o Canadá apoia firmemente a Groenlândia e a Dinamarca”.

Ottawa tem buscado diminuir sua dependência de Washington desde que Trump pediu que se tornasse “o 51º estado” dos Estados Unidos.

‘O fim da Otan’

Na terça-feira, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, advertiu seus 57.000 habitantes que embora seja pouco provável, não se pode descartar o uso da força militar americana na ilha.

O presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, disse à AFP em Davos que qualquer movimento dos Estados Unidos contra um aliado “significaria o fim da Otan”.

Em meio às tensões com a Europa, espera-se que Trump anuncie, na quinta-feira, seu “Conselho de Paz”, um organismo para resolver conflitos internacionais com associação permanente paga no valor de 1 bilhão de dólares (5,3 bilhões de reais, na cotação atual).

O organismo foi concebido originalmente para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, mas o esboço de seu estatuto, consultado pela AFP, não menciona o território palestino e se apresenta como um mecanismo global, potencialmente concorrente da ONU.

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