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Pesquisa Atlas consolida Flávio como candidato do bolsonarismo, mas ainda não rifa Tarcísio

Apesar de certa estabilidade nas sondagens, o custo político de um recuo bolsonarista enfraquece as pretensões nacionais do governador

Pesquisa Atlas consolida Flávio como candidato do bolsonarismo, mas ainda não rifa Tarcísio
Pesquisa Atlas consolida Flávio como candidato do bolsonarismo, mas ainda não rifa Tarcísio
Lula, Tarcísio e Flávio Bolsonaro. Fotos: Ricardo Stuckert / PR; Bruno de Lima / Governo de São Paulo; e Carlos Moura/Agência Senado
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Eleições 2026

A mais recente pesquisa do AtlasIntel, divulgada nesta quarta-feira 21, registra um avanço consistente da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Em um eventual segundo turno, ele aparece com 45% das intenções de voto, contra 49% do presidente Lula (PT). No levantamento de dezembro, a distância era bem maior: Lula vencia por 53% a 41%.

Mais distante, neste momento, da consolidação como alternativa presidencial competitiva dentro do campo bolsonarista, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), registra exatamente o mesmo desempenho de Flávio em um confronto direto com Lula. A diferença está na dinâmica: no caso de Tarcísio, o cenário é de estagnação. No mês passado, Lula também liderava por 49% a 45%.

Nas simulações de primeiro turno, Flávio alcança 35% das intenções de voto em um cenário sem Tarcísio, enquanto o governador soma 28% quando o senador não aparece na disputa. Quando ambos são testados simultaneamente, a vantagem é claramente de Flávio: 28% a 11%. Em todos esses desenhos, contudo, Lula permanece isolado na liderança, com índices que variam entre 48% e 49%.

Em entrevista a CartaCapital, o chefe de Risco Político e Análise Política do AtlasIntel, Yuri Sanches, lembra que a pré-candidatura de Flávio foi lançada em dezembro com um nível de apoio inferior ao piso histórico do bolsonarismo.

Segundo ele, o início anêmico pode ser explicado por uma combinação de fatores: um lançamento desorganizado da pré-campanha — feito de forma abrupta, logo após uma visita de Flávio a Jair Bolsonaro na prisão —, a exposição de tensões internas no clã, evidenciadas pelo atrito entre Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente, e a própria declaração de Flávio de que sua candidatura tinha um “preço”, sugerindo que poderia ser apenas uma estratégia de barganha.

Esse conjunto de sinais, avalia Sanches, gerou desconfiança no eleitorado e resultou em um começo mais tímido. Ainda assim, a recuperação já estava no horizonte. À medida que a candidatura de Flávio Bolsonaro se tornasse mais conhecida e se organizasse no imaginário do eleitor bolsonarista, a tendência era de crescimento. “Era natural para o bolsonarismo.”

Agora, Flávio atua em duas frentes simultâneas: busca consolidar a unidade do bolsonarismo, acenando inclusive a partidos do Centrão, e tenta pacificar as relações dentro da própria família, com atenção especial ao papel de Michelle Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, ele e os irmãos trabalham para afastar definitivamente Tarcísio de qualquer ambição presidencial. O governador, por sua vez, adiou uma visita que faria a Jair Bolsonaro nesta quinta-feira 22, poucas horas depois de Flávio afirmar publicamente que o ex-presidente lhe diria que uma candidatura nacional está, para ele, fora de cogitação.

Resta a Tarcísio o trunfo da rejeição mais baixa. Na nova pesquisa do AtlasIntel, 47% afirmam que não votariam de jeito nenhum em Flávio, contra 41% que rejeitam o governador paulista.

Para Yuri Sanches, Tarcísio dialoga com um eleitorado menos ideologizado e menos vinculado a identidades partidárias, enquanto Flávio enfrenta mais dificuldades para ampliar seu alcance em um eventual segundo turno. Nesse cenário, seria obrigado a acenar a um eleitorado menos radicalizado, o mesmo que garantiu a vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro em 2022.

O analista observa que Tarcísio sofreu um impacto inicial com o lançamento da pré-candidatura de Flávio, mas conseguiu estancar a perda de apoio. Além disso, não se pode descartar que parte desse eleitorado volte a se inclinar ao governador, sobretudo diante da percepção de que Flávio carece de habilidade política para uma disputa nacional de maior complexidade.

Ainda assim, paradoxalmente, a chance de Tarcísio se viabilizar como o candidato de Jair Bolsonaro parece diminuir. A consolidação gradual de Flávio e o custo político de um eventual recuo tornam essa alternativa cada vez menos plausível.

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