CartaExpressa
CNJ afasta juíza acusada de favorecer marido acusado de feminicídio em Mato Grosso
O Ministério Público apontou indícios de interferência indevida da magistrada em processos de interesse pessoal
O corregedor-nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, afastou do Tribunal de Justiça de Mato Grosso a juíza Maria das Graças Gomes da Costa, responsável pela Vara Especializada da Infância e Juventude de Rondonópolis. A magistrada é acusada de utilizar o cargo para favorecer o marido, Antenor Alberto de Matos Salomão, réu por feminicídio de uma bancária. A decisão foi assinada em 23 de dezembro.
A medida foi tomada após uma reclamação movida Ministério Público estadual, que viu indícios de interferência indevida de Maria das Graças em processos de interesse pessoal, incluindo ações envolvendo a guarda da filha da vítima do feminicídio atribuído ao seu esposo.
De acordo com o órgão, mesmo após decisão judicial conceder a guarda da criança à avó materna, a juíza teria atuado para dificultar o cumprimento da ordem, chegando a se deslocar com a menor para local não informado. A situação motivou a expedição de ordem de busca e apreensão com acompanhamento de oficial de Justiça.
Entre outras coisas, o MP matogrossense apontou que o marido da magistrada teria utilizado o porte de arma funcional da juíza enquanto cumpria prisão domiciliar no mesmo condomínio em que ela residia. Há ainda registros de ligações feitas pelo réu a partir do telefone funcional da magistrada, inclusive logo após o crime.
Na decisão pelo afastamento, o corregedor do CNJ destacou a gravidade dos fatos e ressaltou que já existe procedimento disciplinar em andamento contra Maria das Graças.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Aposentado pelo CNJ, desembargador suspeito de vender sentenças no TJ-SE recebeu R$ 302 mil em penduricalhos
Por Wendal Carmo
CNMP afasta promotor irmão do prefeito de Macapá após investigação sobre compra de votos
Por Wendal Carmo


