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Portugal: polícia realiza operação contra organização criminosa neonazista e xenófoba
Foram detidas 37 pessoas suspeitas de pertencerem a uma organização criminosa
A polícia portuguesa anunciou ter detido nesta terça-feira 20, 37 pessoas suspeitas de pertencerem a uma organização criminosa que difundia propaganda neonazista, racista e xenófoba, e que cometia crimes de ódio contra imigrantes. A operação mobilizou cerca de 300 agentes em todo o país.
Os suspeitos, com idades entre 30 e 54 anos, “possuem extensos antecedentes criminais e ligações com grupos internacionais que promovem o ódio”, afirmou a Polícia Judiciária em um comunicado, acrescentando que 15 pessoas já foram formalmente acusadas.
A ação, que contou com cerca de 300 agentes em todo o território português, envolveu a realização de 65 buscas e a apreensão de material de propaganda ligado à extrema direita, além de diversas armas.
A investigação trata, entre outros pontos, de casos de violência agravada, ameaças, discriminação e incitação ao ódio.
As pessoas detidas, que serão apresentadas a um juiz na quarta-feira, são suspeitas de difundir “ideias neonazistas” e de agir “por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar e perseguir minorias étnicas, especialmente imigrantes”, detalhou a polícia.
Racismo e ódio
Segundo as autoridades, elas criaram uma organização criminosa hierarquizada com a finalidade de promover o ódio e a violência racial.
De acordo com a mídia local, o grupo tem ligação com Mário Machado, já conhecido em Portugal por atos de violência racista. Atualmente preso, ele teria continuado a dar instruções ao grupo de dentro da prisão.
As vítimas eram majoritariamente imigrantes oriundos de países muçulmanos do sul da Ásia, segundo a imprensa.
Nos últimos anos, a população estrangeira aumentou consideravelmente em Portugal, especialmente com a chegada de muitos trabalhadores vindos da Índia, do Paquistão e de Bangladesh.
No fim de 2024, o número de estrangeiros residentes no país ibérico ultrapassava 1,5 milhão, o que corresponde a cerca de 15% da população total.
Paralelamente, a extrema direita portuguesa tem registrado uma forte ascensão eleitoral nos últimos anos.
Com informações da AFP
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