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Groenlândia, EUA, terras raras e a disputa global pela tecnologia

A Groenlândia, maior ilha do planeta, saiu do mapa mental apenas como terra de gelo para ganhar espaço nas conversas sobre geopolítica e inteligência artificial. O ToqueTec preparou este conteúdo para explicar por que esse território interessa tanto aos Estados Unidos, o que isso tem […]

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A Groenlândia, maior ilha do planeta, saiu do mapa mental apenas como terra de gelo para ganhar espaço nas conversas sobre geopolítica e inteligência artificial. O ToqueTec preparou este conteúdo para explicar por que esse território interessa tanto aos Estados Unidos, o que isso tem a ver com terras raras tecnologia e inteligência artificial

Com população de cerca de 60 mil habitantes e cerca de 2,1 milhões de km², a Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca, com governo próprio, mas ainda dependente de repasses anuais do reino dinamarquês (sim, a Dinamarca é uma monarquia).  A economia gira hoje principalmente em torno da pesca. Mais de 90% das exportações vêm de peixes e frutos do mar. A riqueza real e que causa cobiça esta no subsolo, o que indica um futuro baseado em mineração de alto valor agregado.

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Por que os EUA querem para a Groenlândia

A posição no Ártico faz da ilha um ponto estratégico para rotas marítimas, radares e bases militares, enquanto o derretimento do gelo abre novas áreas para exploração de recursos naturais. Para Trump, controlar a Groenlândia significa ganhar influência sobre essas rotas do Atlântico Norte e, principalmente, sobre reservas de minerais críticos hoje dominadas pela China.

Corredores estratégicos no Atlântico Norte

São dois os grandes corredores estratégicos que dominam os interesses da Groenlândia:

  • GIUK Gap é o corredor marítimo entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido, fundamental para monitorar submarinos russos que saem do Ártico para o Atlântico.
  • As águas ao redor da base de Pituffik, no noroeste da ilha, integram as linhas de comunicação marítima que conectam América do Norte, Atlântico Norte e o próprio Ártico.

Acordos diplomáticos e investimentos buscam aproximar governos e empresas ocidentais da ilha, reduzindo a presença chinesa em projetos de mineração. Essa movimentação ganhou força com a escalada da disputa EUA e China em semicondutores, inteligência artificial e computação em nuvem, áreas em que garantir matéria-prima se transformou em tema de segurança nacional.

Terras raras e outras riquezas minerais

Estudos indicam que a Groenlândia concentra uma das maiores combinações de minerais críticos do mundo, incluindo elementos de terras raras, lítio, grafite, urânio, gálio e germânio. Há depósitos no sul da ilha, como Kvanefjeld e Tanbreez, apontados como grandes jazidas de terras raras pesadas, consideradas estratégicas pelos Estados Unidos e União Europeia.

Embora a mineração ainda responda por uma fatia pequena do PIB local, o potencial geológico é estimado em trilhões de dólares, alimentando a ideia de que o setor possa, no futuro, aumentar a autonomia financeira e até abrir caminho para maior independência política. Para a população, esse debate envolve oportunidades de emprego, impactos ambientais e o risco de ver a ilha capturada por interesses externos.

Reuters

O interesse de Trump pela ilha vem das abundantes quantidades de petróleo e gás e por sua posição estratégica

Como essas terras raras influenciam a tecnologia e IA

Quando o assunto é IA e semicondutores, esses elementos entram em pelo menos três frentes: polimento de wafers (pequenos discos que servem de substrato para a produção de circuitos integrados) e equipamentos de litografia que produzem chips, ajustes de propriedades elétricas e térmicas de componentes e ímãs presentes em discos rígidos e sistemas de resfriamento de data centers. Neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, por exemplo, ajudam a fabricar ímãs permanentes usados em ventiladores e bombas que mantêm servidores de IA na temperatura ideal, enquanto ítrio e gadolínio aparecem em materiais usados em alguns tipos de memórias e sensores.

Quem domina terras raras não “ganha” sozinho a corrida da IA, mas tem um trunfo importante na base física da nuvem e dos data centers. China e Estados Unidos têm hoje a melhor capacidade tecnológica para transformar esses minerais em componentes de alto valor. A China controla entre 60% da mineração e cerca de 85% a 90% do refino global, além da maior parte da produção de ímãs permanentes de alta performance. Os EUA, por sua vez, avançam em projetos para integrar mineração, processamento e fabricação de ímãs e peças para servidores, tentando reduzir a dependência de fornecedores chineses.

A supremacia tecnológica em disputa

O avanço da IA é uma disputa global que vai além da financeira. Como interface de comunicação ela pode ter a maior circulação global de dados superando as ferramentas de buscas e redes sociais. O tráfego de informação gera conhecimento. Como ferramenta de trabalho ela é incorporada a sistemas e processos de produção e serviços, transformando elemento fundamental da economia nos próximos anos.

Na indústria bélica ela já dá as caras há tempos. Com sistemas avançados de monitoramento e capacidade de auxiliar na tomada de decisões a inteligência artificial já indica poder de tiro. Ter capacidade para gerir trilhões de dados depende de infraestrutura para data centers e hardwares cada vez mais poderosos. O que está em jogo na Groenlândia é quem vai dominar o tráfego de informações do planeta. E isso é ter poder econômico e bélico.

Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec

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