Do Micro Ao Macro
Pesquisa mostra como a educação profissional sustenta a carreira de cabeleireiros
Estudo da Wella Professionals com a NielsenIQ indica que a educação profissional de cabeleireiros define renda, escala dos salões e trajetória no setor.
A educação profissional de cabeleireiros passou a ocupar papel estruturante na carreira de quem atua no setor de beleza no Brasil. Pesquisa conduzida pela Wella Professionals em parceria com a NielsenIQ mostra que mais de sete em cada dez profissionais já investiram em cursos técnicos ou específicos, enquanto 84% consideram a especialização extremamente importante para a trajetória na área.
O levantamento ouviu profissionais que atuam em salões do Rio de Janeiro e de São Paulo e indica que, em uma profissão frequentemente iniciada ainda na adolescência, muitas vezes por estímulo familiar, a formação contínua passou a orientar decisões de carreira, posicionamento no mercado e expansão dos negócios.
Os dados ganham relevância em um setor que cresce em ritmo acelerado. Segundo a ABIHPEC, o mercado de beleza e cuidados pessoais no Brasil avançou de R$ 148 bilhões para R$ 206 bilhões em faturamento entre 2022 e 2025. O setor reúne cerca de 7 milhões de pessoas ocupadas, crescimento de 26% em relação a 2022.
Além disso, cabeleireiros, manicures e pedicures somam quase 880 mil empreendimentos ativos no país, ficando atrás apenas do comércio varejista em número de estabelecimentos. Dados do Sebrae indicam que, entre janeiro e setembro de 2024, mais de 170 mil novos pequenos negócios ligados à beleza foram abertos, média próxima de 700 por dia.
Educação profissional de cabeleireiros e gestão
Segundo Guilherme Catarino, a pesquisa aponta um perfil que combina técnica e visão de negócio. Profissionais investem em conhecimento, assumem responsabilidades de gestão e influenciam decisões de consumo dentro dos salões. Quando há investimento em especialização, o salão amplia competitividade e organiza melhor sua operação.
A pesquisa mostra que, em salões de menor porte, cabeleireiros acumulam, em média, 4,25 funções no dia a dia. Atendimento, relacionamento com clientes, organização da rotina e apoio à gestão fazem parte da mesma jornada. Esse modelo reflete o perfil empreendedor predominante no setor.
Escala, atendimento e organização do salão
À medida que o porte do salão aumenta, a divisão de funções se torna mais estruturada. Em salões médios, a média é de 3,52 funções por profissional. Nos grandes, o número chega a 3,81, com maior concentração em atividades ligadas à experiência do cliente e à oferta de serviços de maior valor.
Em dias de alta demanda, a escala de atendimento cresce de forma relevante. Salões pequenos realizam cerca de 26 atendimentos diários. Os médios chegam a 38, enquanto os grandes alcançam aproximadamente 72 atendimentos por dia. Esse avanço exige maior controle de processos, equipes e estoques.
Formação técnica como base da carreira
Na percepção dos entrevistados, a especialização deixou de ser diferencial e passou a ser requisito. Oito em cada dez profissionais classificam a formação como extremamente importante, enquanto outros 14% a consideram importante. Em um segmento sem trilha universitária padronizada, a educação profissional de cabeleireiros se consolida por meio de cursos técnicos e específicos.
Entre os profissionais que atuam em salões, 77% já realizaram cursos técnicos ou específicos. Outros 21% tiveram algum tipo de formação acadêmica. Na área de colorimetria, 79% buscaram cursos técnicos e 20% recorreram à formação acadêmica.
O padrão se repete em todos os portes de salão. Cursos técnicos aparecem como base da formação para 76% dos profissionais de salões pequenos, 83% dos médios e 72% dos grandes. A formação acadêmica cresce conforme a estrutura do negócio, chegando a 28% nos salões maiores.
Consultoria, confiança e referências digitais
Os dados também mostram que o papel do cabeleireiro vai além da execução técnica. Em salões de grande porte, 86% das clientes buscam consultoria frequente sobre cor, enquanto 64% recorrem ao profissional para orientação sobre estilo e técnica.
Em mercados como Rio de Janeiro e São Paulo, marcados por alta exposição a referências visuais, clientes chegam aos salões com imagens, tendências globais e expectativas definidas. Nesse contexto, a educação profissional de cabeleireiros sustenta a capacidade de traduzir essas referências em decisões viáveis, considerando histórico químico, manutenção e limites técnicos.
Segundo Nathalie Honda, o aumento de referências digitais e imagens geradas por inteligência artificial ampliou o nível de exigência. Isso demanda mais repertório técnico, clareza na comunicação e segurança na orientação oferecida às clientes.
Formação contínua dos cabeleireiros e estratégia do setor
O estudo indica que o desempenho dos salões está cada vez mais associado à forma como o conhecimento é organizado e aplicado no negócio. Em um ambiente competitivo, com consumidores informados e tecnologias em rápida evolução, a educação profissional de cabeleireiros aparece como eixo de sustentação da atividade.
Com mais de quatro décadas dedicadas à formação no Brasil, a Wella Professionals mantém a plataforma WellaEdu, que reúne mais de 100 cursos técnicos e trilhas em corte, coloração, styling, gestão de carreira, negócios e mídias sociais. Em 2024, a iniciativa registrou mais de 100 mil participações em treinamentos presenciais e online, em um mercado com cerca de 1,3 milhão de cabeleireiros no país.
A pesquisa da NielsenIQ ouviu 200 profissionais de São Paulo e do Rio de Janeiro entre novembro e dezembro de 2025, com amostra composta por salões de diferentes portes e modelos de negócio.
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