Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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A morte de um mestre de cultura popular é como o incêndio de uma biblioteca, diz pesquisador

Em entrevista a CartaCapital, Estêvão dos Reis critica a incompreensão sobre as tradições brasileiras

A morte de um mestre de cultura popular é como o incêndio de uma biblioteca, diz pesquisador
A morte de um mestre de cultura popular é como o incêndio de uma biblioteca, diz pesquisador
Foto: Divulgação
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Manifestações populares já foram agrupadas sob os conceitos de folclore, cultura popular e, agora, patrimônio imaterial. Para Estêvão dos Reis, doutor e mestre em Música pela Unicamp, a troca de nomes pouco importa se os detentores dos saberes continuam excluídos da valorização de seu trabalho.

É necessário, disse Reis em entrevista a CartaCapital, atualizar e ampliar a compreensão de folclore, para afastar o sentido pejorativo — como se fosse algo “fantasioso”.

Em seu livro O Folclore É um Processo (2024), ele se concentra nas performances dos grupos de cultura popular. “Ampliando o conceito (de folclore) a partir dos estudos da performance, também ampliamos o olhar e vimos o folclore não como algo congelado, mas como um conjunto de conhecimento rico.”

O pesquisador exemplifica: ao contrário do que se imagina, é difícil aprender como se forma um mestre de folia de reis, de congado ou de maracatu. A transmissão de conhecimento entre eles é complexa, e nem a academia conseguiu decifrar como ela ocorre. “Quando se morre um mestre é como se colocasse fogo numa biblioteca”, define.

Os mestres e as mestras são detentores de saberes e fazeres das tradições populares — há grupos de folias de rei, congados e maracatus ativos há mais de 200 anos. “Eles têm uma forma de resistência e organização impressionante”, destaca Reis.

Muitas das práticas populares brasileiras de performance têm origem religiosa, de devoção. Nem todos os integrantes desses grupos, contudo, são devotos. 

O pesquisador afirma também ser importante levar em conta o aspecto econômico na discussão sobre os grupos de cultura popular. Do contrário, o entendimento do folclore como algo ingênuo, romântico e por devoção acaba por esconder seus custos.

“Eles precisam ser vistos como artistas”, resume. Os grupos, de acordo com Estêvão dos Reis, levam meses para montar uma apresentação, o que demanda valorização financeira. Além disso, estão em permanente adaptação, sem se afastar de suas raízes.

Assista à entrevista de Estêvão dos Reis a CartaCapital:

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