Política
A reação do bolsonarismo à declaração da esposa de Tarcísio sobre ‘CEO’ do Brasil
O mal-estar se insere num contexto em que há desconfiança dos bolsonaristas em relação ao governador
O comentário da primeira-dama de São Paulo, Cristiane Freitas, em uma publicação do governador Tarcíso de Freitas (Republicanos) nesta quarta-feira 14 afirmando que “o Brasil precisa de um novo CEO” causou irritação entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No entorno do ex-capitão, a declaração foi interpretada como uma tentativa de apresentar o governador paulista como um nome mais “palatável” para a disputa ao Planalto.
O mal-estar ocorre em um contexto de crescente desconfiança dos bolsonaristas em relação a Tarcísio. Desde que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu as bênçãos do pai para concorrer à Presidência, o governador — até então citado como possível herdeiro do espólio político do ex-presidente — passou a ser pressionado a se engajar mais diretamente na campanha.
Nas poucas vezes em que abordou o tema, o chefe do Palácio dos Bandeirantes afirmou que Flávio poderá contar com seu apoio, mas tem evitado participar de atos da pré-campanha, como o almoço com empresários realizado em dezembro, na capital paulista.
Entre as reações mais destemperadas está a do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que criticou diretamente a fala da primeira-dama.“O bolsonarismo não quer um CEO. Isso é positivismo estúpido típico de milico. O bolsonarismo nasce da antítese disso, como reação a essa lógica — não contra ordem ou competência, mas contra a ideia de que o povo deve ser permanentemente tutelado por uma elite tecnocrática que trata a nação como se fosse uma empresa mal administrada”.
O vereador Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, também reagiu com ironia. Ele publicou uma foto do ex-governador João Doria (sem partido) segurando uma revista cuja manchete dizia “João Doria, o CEO de São Paulo”. A postagem foi republicada pelo irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Doria chegou a ser aliado de Bolsonaro, usando o slogan “Bolsodoria” nas eleições de 2018, quando foi eleito governador de São Paulo. Mas depois rompeu com a família, que até hoje o acusa de usar a imagem do ex-presidente para benefício próprio.
Antes do comentário de Cristiane, Carlos já havia publicado indiretas aos “isentões, limpinhos”, que foram “eleitos graças ao sacrifício” do pai. Ele também criticou “os que hoje sequer tocam no nome do líder torturado” e completou: “todos, absolutamente todos, vão mais uma vez mostrando suas garrinhas e unhas pintadas”.
Outro a se manifestar sobre o tema foi o deputado estadual por SP Gil Diniz, também do PL e próximo ao clã Bolsonaro. Por meio de uma publicação no X, o parlamentar disse considerar que a cadeira de governador do Estado deve ser estudada, porque é “só o cidadão sentar nela e automaticamente se acha pronto a ser o salvador da Pátria”. “O Brasil precisa de homens leais, de palavra, comprometidos com o povo brasileiro e não traidores mentirosos”, acrescenta o post.
Apoiadores bolsonaristas também lotaram os comentários de postagens nas redes sociais com “correntes” que defendem um boicote a Tarcísio. “Não queremos apenas um governo tecnocrático bem gerido por um CEO eficiente”, escreveu um internauta que lidera a retaliação online.
Em meio a briga espólio eleitoral do ex-capitão, Flávio e Tarcísio seguem patinando contra o principal adversário, o presidente Lula (PT). Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta mostra o petista na liderança em todos os cenários testados, tanto no primeiro quanto no segundo turnos.
Em simulações de confronto direto, Tarcísio aparece como o adversário mais competitivo do petista, mas ainda assim ficaria cinco pontos percentuais atrás. Contra Flávio, a diferença seria de sete pontos a favor de Lula.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Como o PL lê o desempenho de Flávio Bolsonaro na primeira Quaest do ano
Por Vinícius Nunes
Em meio à disputa do bolsonarismo, esposa chama Tarcísio de ‘CEO’ do Brasil
Por CartaCapital
Quaest testa Lula contra Flávio Bolsonaro e Tarcísio; veja os resultados
Por CartaCapital




