Economia
O incômodo de Toffoli com a PF em nova decisão do caso Master
O ministro do STF evocou termos como ‘inércia’ e ‘falta de empenho’ para criticar a corporação
O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli expôs seu incômodo com a Polícia Federal ao determinar uma nova operação no caso do suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, terá 24 horas para se explicar ao magistrado.
Entre as diligências ordenadas por Toffoli estavam a prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado do ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, e buscas pessoais contra o empresário Nelson Tanure, ligado a Vorcaro.
A PF foi às ruas para cumprir as determinações nesta quarta-feira 14. O ministro havia expedido as ordens, porém, na última quarta-feira 7 e mandado a PF executá-las em no máximo 24 horas a partir da segunda 12 — ou seja, até terça-feira.
A celeridade, justificou o ministro, seria fundamental em decorrência da gravidade dos fatos e da necessidade de aprofundar a investigação, “com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”.
Toffoli escreveu ter “causado espécie” o descumprimento do prazo fixado, uma vez que outros envolvidos podem ter “descaracterizado provas essenciais” à resolução do caso. Ele mencionou também o que considera “falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”.
O relator ainda anotou que um eventual fracasso no cumprimento das medidas seria responsabilidade de uma “inércia exclusiva da Polícia Federal”, ilustrada pela inobservância da decisão anterior. Segundo ele, a corporação apresentou um novo documento às 19h13 desta terça-feira no qual informou que Zettel tinha uma passagem comprada para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A viagem ocorreria, frisou a PF, “poucas horas antes do cumprimento das medidas judiciais determinadas na presente cautelar”.
“Eventual prejuízo às demais medidas em decorrência do presente pedido são de inteira responsabilidade da autoridade policial”, completou Toffoli, em mais um sinal de irritação com a conduta da PF.
Zettel foi detido na madrugada desta quarta no Aeroporto de Guarulhos (SP) quando embarcaria para Dubai, mas foi solto em seguida. A prisão ocorreu apenas para realizar a operação desta quarta. Os agentes localizaram Tanure no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e apreenderam o celular do investidor.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Mudança de clima reduz pressão do TCU sobre o Banco Central no caso Master
Por Maiara Marinho
Caso Master: PF mira Daniel Vorcaro em nova fase da Operação Compliance Zero e bloqueia R$ 5,7 bilhões em bens
Por Vinícius Nunes
Haddad diz que caso Master pode ser a ‘maior fraude bancária’ e reforça apoio ao BC
Por Vinícius Nunes



