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Promotoria da Coreia do Sul pede pena de morte para ex-presidente
Yoon Suk-yeol chocou o país em 2024 ao anunciar a imposição de lei marcial e enviar tropas ao Parlamento
A promotoria sul-coreana pediu nesta terça-feira 13 a pena de morte para o ex-presidente Yoon Suk Yeol, por instituir a lei marcial em dezembro de 2024, informou a agência de notícias local Yonhap.
Os promotores acusaram o ex-chefe de Estado conservador de ter liderado uma “insurreição” motivada por uma “sede de poder destinada a instaurar uma ditadura”. Também o acusaram de não demonstrar “nenhum remorso” por atos que ameaçavam “a ordem constitucional e a democracia”.
“No momento de proferir a sentença, não se pode levar em conta nenhuma circunstância atenuante, impondo-se uma sanção severa”, concluíram os promotores, que pediram a pena de morte, ainda vigente na Coreia do Sul, embora nenhuma execução tenha sido realizada desde 1997.
Yoon disse nesta terça-feira que havia apenas exercido sua autoridade como presidente. “Não foi uma ditadura militar que elimina cidadãos, e sim um esforço para salvaguardar a liberdade e a soberania, e para restaurar a ordem constitucional”, acrescentou, segundo a agência de notícias Yonhap.
A promotoria também pediu que o ex-ministro da Defesa Kim Yong Hyun seja condenado à prisão perpétua. O veredicto será anunciado em 19 de fevereiro.
Na noite de 3 de dezembro de 2024, Yoon Suk Yeol chocou o país ao anunciar na televisão a imposição da lei marcial, enviando tropas ao Parlamento.
Horas mais tarde, recuou, depois que um número suficiente de deputados conseguiu abrir caminho até o plenário, cercado por soldados, e votou pela suspensão de seu decreto.
Ele foi destituído oficialmente em abril de 2025 pelo Tribunal Constitucional, após meses de amplas manifestações e de caos político.
Yoon Suk Yeol havia justificado a imposição da lei marcial, uma medida sem precedentes na Coreia do Sul desde as ditaduras militares da década de 1980, alegando que o Parlamento, controlado pela oposição, bloqueava o orçamento.
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