Mundo
Groenlândia: premiê da Dinamarca alerta para ‘encruzilhada’
Primeira-ministra afirmou que o mundo como é conhecido ‘acabará’ se Trump decidir tomar pela força o território autônomo
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou neste domingo 11 que seu país, a Europa e os aliados se encontram em uma “encruzilhada” diante do “conflito” com os Estados Unidos sobre o controle da Groenlândia.
A premiê reiterou que o mundo como conhecemos acabará se o presidente americano, Donald Trump, decidir tomar pela força o território autônomo da Dinamarca, país integrante da Otan.
“Estamos em uma encruzilhada e este é um momento decisivo. Se os americanos derem as costas à aliança ocidental ao ameaçarem um aliado, então o mundo irá parar”, declarou Frederiksen durante um evento de Ano Novo do Partido Social Liberal, segundo a emissora TV2.
A primeira-ministra social-democrata negou-se a responder se a Dinamarca possui um plano caso os EUA tentem realmente tomar a Groenlândia pela força, conforme advertido por Trump, e explicou que há muitas questões às quais não deseja responder publicamente neste momento.
Sem concessões em ‘valores fundamentais’
Frederiksen, que admitiu não conversar com Trump sobre a Groenlândia desde janeiro do ano passado, sustentou que a Dinamarca deve deixar claro que não fará concessões em “valores fundamentais” na reunião, que será realizada nesta semana que começa, entre os chefes das diplomacias dinamarquesa, groenlandesa e americana.
A premiê concordou com o líder do Partido Social Liberal, Martin Lidegaard, que a Dinamarca deve convencer os EUA de que não apenas o país nórdico, mas toda a Europa, leva a sério a situação de segurança no Ártico.
No entanto, reconheceu não ter certeza se a Dinamarca conseguirá convencer Trump de que ele não pode simplesmente se apossar da Groenlândia, segundo o jornal Berlingske.
Questionada se busca uma reunião com Trump, Frederiksen disse que ambos podem ser muito diretos ao falar, de modo que talvez não seja a melhor ideia que os dois conversem neste exato momento.
Por outro lado, se mostrou satisfeita com o apoio recebido de outros aliados da Otan diante do “conflito” sobre a Groenlândia com os Estados Unidos.
Apoio dos países da Otan
“Existe um conflito em torno da Groenlândia, infelizmente, devo acrescentar. Recebemos um apoio massivo dos países da Otan e estou muito satisfeita com isso”, afirmou a chefe do governo dinamarquês.
Apesar de tudo, Frederiksen frisou que, hoje, os Estados Unidos continuam sendo o aliado mais importante da Dinamarca, embora em sua resposta tenha se remetido ao passado, à Segunda Guerra Mundial e à forte presença militar na Europa naquele período.
Frederiksen afirmou, em publicação no Facebook, que “estamos prontos para defender nossos valores – onde quer que seja necessário – também no Ártico. Acreditamos no direito internacional e no direito dos povos à autodeterminação.”
A Alemanha e a Suécia apoiaram a Dinamarca contra as últimas reivindicações de Trump sobre o território dinamarquês autônomo.
O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, condenou a “retórica ameaçadora” dos EUA depois que Trump repetiu que Washington “faria algo na Groenlândia, quer eles gostem ou não”.
“A Suécia, os países nórdicos, os Estados bálticos e vários países europeus importantes estão ao lado de nossos amigos dinamarqueses”, disse ele em uma conferência de defesa em Salén, da qual participou o general americano encarregado da Otan.
Kristersson disse que uma tomada de poder dos EUA na Groenlândia, rica em minerais, seria “uma violação do direito internacional e corre o risco de encorajar outros países a agirem exatamente da mesma maneira”.
Ministro alemão se reúne com Rubio
A Alemanha reiterou seu apoio à Dinamarca e à Groenlândia antes das discussões em Washington.
Antes de se reunir com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, realizaria conversas na Islândia para abordar os “desafios estratégicos do extremo norte”, de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
“Os interesses legítimos de todos os aliados da Otan, bem como os dos habitantes da região (ártica), devem estar no centro de nossas discussões”, disse Wadephul.
As nações europeias se mobilizaram para coordenar uma resposta depois que a Casa Branca disse esta semana que Trump queria comprar a Groenlândia e se recusou a descartar uma ação militar.
Na terça-feira, líderes de sete países europeus, incluindo França, Grã-Bretanha, Alemanha e Itália, assinaram uma carta afirmando que cabe “apenas” à Dinamarca e à Groenlândia decidir o futuro do território.
Trump afirma que controlar a ilha é crucial para a segurança nacional dos EUA devido à crescente atividade militar russa e chinesa no Ártico.
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