Mundo

Após quase dois anos, Brasil deixará de representar os interesses da Argentina na Venezuela

A custódia da embaixada argentina em Caracas estava sob a batuta do Itamaraty desde a expulsão do corpo diplomático por Nicolás Maduro, em 2024

Após quase dois anos, Brasil deixará de representar os interesses da Argentina na Venezuela
Após quase dois anos, Brasil deixará de representar os interesses da Argentina na Venezuela
Bandeira brasileira hasteada na sede da embaixada da Argentina, em Caracas. Foto: Juan Barreto/AFP
Apoie Siga-nos no

O Itamaraty deixará de representar os interesses argentinos na Venezuela, onde o governo de Javier Milei não tem corpo diplomático há quase dois anos. A decisão já foi comunicada a ambos os países e a tutela da embaixada argentina deve ser assumida pela Itália, segundo apurou CartaCapital com fontes da diplomacia brasileira.

A custódia da embaixada da Argentina em Caracas estava sob responsabilidade do Brasil desde agosto de 2024, quando o então presidente Nicolás Maduro decidiu expulsar todo o corpo diplomático dos países que questionaram o resultado das eleições daquele ano. De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral, o líder chavista havia sido reeleito com 51% dos votos. O resultado, porém, até hoje é alvo de contestações por parte da oposição e de organismos internacionais.

Com isso, a defesa dos interesses e cidadãos argentinos no território venezuelano passou a ser feita pelo corpo diplomático do Brasil no país vizinho. A possibilidade de um país assumir os interesses de outro em determinado território está previsto em tratados internacionais assinados nos anos 1960.

De acordo com diplomatas a par das discussões, a decisão por finalizar a custódia dos interesses argentinos ocorre em um “momento de reorganização” da representação do Brasil em solo venezuelano, à luz da invasão e captura de Maduro pelos Estados Unidos, na semana passada. “A nossa tarefa foi cumprida, sobretudo no que diz respeito à defesa da integridade dos assessores de Maria Corina Machado, que era uma prioridade e foi tema de grande sensibilidade na nossa relação com Caracas até maio passado”, explica, sob reserva, uma dessas fontes.

Integrantes do Itamaraty também descartam que a medida tenha como pano de fundo postagens críticas feitas por Milei nos últimos dias. Um dos petardos foi a imagem publicada pelo líder argentino após a vitória de José Antonio Kast no Chile. A ilustração mostrava a América do Sul dividida em dois, com a Argentina ilustrada como futurista e o Brasil como uma grande favela. “Longe disso, provocações do Milei não vêm de hoje e não nos pautam”, resume outro diplomata.

O Brasil segue representando os interesses do Peru na Venezuela, compromisso também assumido após a vitória de Maduro.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo