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Após Caracas libertar ‘muitos’ presos políticos, Trump diz ter ‘cancelado’ novo ataque à Venezuela

O presidente dos EUA não deu detalhes de quando pretendia bombardear novamente o país sul-americano

Após Caracas libertar ‘muitos’ presos políticos, Trump diz ter ‘cancelado’ novo ataque à Venezuela
Após Caracas libertar ‘muitos’ presos políticos, Trump diz ter ‘cancelado’ novo ataque à Venezuela
O presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: Mandel NGAN / AFP
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A Venezuela anunciou na quinta-feira 8 a libertação de “muitos prisioneiros”, sem especificar o número ou a nacionalidade das pessoas libertadas. A ativista e advogada Rocio San Miguel está entre os prisioneiros libertados, assim como o ex-candidato à presidência Enrique Marquez, de acordo com um vídeo de um jornalista local. Os Estados Unidos comemoram e Donald Trump afirmou na sexta-feira 9 ter “cancelado” um novo ataque ao país após a libertação de um “grande número de presos políticos”.

“Tudo acabou”, diz Enrique Marquez à sua esposa no vídeo filmado em um bairro de Caracas, para onde foi levado pela polícia na companhia de Biagio Pilieri, colaborador da líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado.

Trata-se da primeira leva de libertações desde o sequestro do presidente Maduro em Caracas, que Washington pretende levar a julgamento nos Estados Unidos por, entre outros crimes, narcoterrorismo.

Essas libertações são “um gesto unilateral do governo” para “promover a coexistência pacífica”, afirmou Jorge Rodriguez, presidente do Parlamento da Venezuela, sem especificar o número nem a nacionalidade dos detidos libertados.

A ONG Foro Penal, que estimava antes de quinta-feira em 806 o número de presos políticos na Venezuela, incluindo 175 militares, comemorou a “boa notícia”.

Em setembro, um grupo de especialistas da ONU alertou para um endurecimento da perseguição por motivos políticos nos últimos meses na Venezuela. Alguns deles foram presos na Helicoide, uma prisão temida e administrada pelos serviços de inteligência.

Espanha saúda um “ato de justiça”

O governo espanhol anunciou imediatamente a libertação de cinco espanhóis, informando que eles “se preparam para regressar a Espanha”, incluindo Rocio San Miguel, que também tem nacionalidade espanhola. Ela foi presa em fevereiro de 2024 e seu julgamento foi adiado várias vezes. Ela “está bem”, afirmou sua advogada, Theresly Malave, à AFP.

O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, saudou “um ato de justiça”, enquanto a Casa Branca considerou um “exemplo” da “influência” de Donald Trump.

O presidente americano afirmou na sexta-feira em sua rede social Truth Social que havia “cancelado” um novo ataque à Venezuela após a libertação de um “grande número de presos políticos” por Caracas. “A Venezuela liberta um grande número de presos políticos em sinal de ‘busca pela paz’. É um gesto muito importante e sensato”, afirmou Trump.

Famílias dos detidos estão impacientes

Na Colômbia, renasce a esperança para as famílias dos detidos, como a de Javier Giraldo. Depois de um telefonema ao embaixador da Colômbia na Venezuela e de uma mensagem de texto enviada da prisão onde está detido, perto de Caracas, seu filho Joan Giraldo, tem esperança de que seu pai seja libertado em breve, após quatro anos de detenção.

“Estou tão feliz! Quando eu for encontrá-lo, vamos aproveitar. Vou abraçá-lo, comemorar, levá-lo a um restaurante, levar os netos para vê-lo”, diz, animado, à reportagem da RFI, na expectativa de ver como está seu pai, de 70 anos. As poucas informações que Javier conseguiu enviar à sua família, graças aos policiais que às vezes o deixam usar um telefone, fazem seu filho temer o pior.

“Imagino que ele terá que passar um tempo em uma clínica para receber cuidados. Sua saúde está muito ruim”, diz Javier. “Ele é diabético e sofre de hipertensão. Passa o tempo na enfermaria. Foi torturado várias vezes. Em várias ocasiões, foi levado para uma câmara frigorífica, como aquelas em que se coloca carne, para que confessasse. Foi realmente terrível”, relata.

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