CartaCapital
Executivo/ Na mesa de Lula
Saída de Lewandowski reacende debate no governo sobre recriação de Ministério da Segurança Pública
No fim do ano, o ministro Ricardo Lewandowski comunicou a Lula a intenção de deixar o governo ainda nas primeiras semanas de janeiro. O presidente pediu para o auxiliar permanecer mais um tempo no cargo, até encontrar um substituto, mas o titular da pasta da Justiça não escondeu o desejo de encerrar logo a sua gestão, alegando cansaço e o cumprimento de sua missão. “Vou ser ministro dos meus netos”, tem dito a jornalistas.
Ante a saída antecipada de Lewandowski, o presidente tem sido aconselhado a aproveitar a oportunidade para recriar o Ministério da Segurança Pública, separando-o da Justiça – modelo que já existiu no governo de Michel Temer. Lula já pretendia fazer essa mudança, mas aguardava a aprovação da PEC da Segurança, que ampliaria o papel da União no combate ao crime organizado. Como a proposta foi desidratada no Congresso, auxiliares próximos avaliam que não faz mais sentido esperar.
Um dos maiores críticos do desmembramento do Ministério da Justiça era justamente Lewandowski. Sem ele, o caminho estaria livre. Além disso, a segurança pública figura sempre entre as principais preocupações dos brasileiros, segundo diferentes pesquisas. Com a proximidade das eleições, o governo Lula precisa apresentar resultados também nessa área.
Hospital inteligente
O governo federal anunciou, na quarta-feira 7, a construção do primeiro hospital público inteligente do Brasil, em São Paulo. O investimento será financiado com empréstimo de 1,7 bilhão de reais pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do BRICS. De acordo com o Ministério da Saúde, a unidade atenderá pacientes do SUS com medicina de alta precisão, apoiada por Inteligência Artificial e outras novas tecnologias. Vinculado à USP, o hospital terá um setor de emergência com 250 leitos, 350 leitos de UTI e 25 salas cirúrgicas. Com o suporte das novas tecnologias, o governo espera reduzir em mais de cinco vezes o tempo de espera por atendimentos especializados em urgências e emergências.
Petrobras/ Primeiro incidente
Perfuração na Foz do Amazonas é paralisada por vazamento de fluido
Ambientalistas temem danos no sensível bioma amazônico – Imagem: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
A Petrobras confirmou a ocorrência de um vazamento durante a perfuração do bloco 59, na bacia da Foz do Amazonas, a 175 quilômetros da costa do Amapá, na Margem Equatorial brasileira. O incidente foi constatado no domingo 4 e, desde então, as atividades no local foram suspensas.
A empresa esclareceu que não se trata de vazamento de petróleo. Segundo a estatal, o material liberado é um fluido utilizado na operação da sonda perfuradora. Em nota, a Petrobras informou que adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. “O fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, não havendo danos ao meio ambiente ou às pessoas”, afirma a companhia.
O fluido de perfuração é empregado para limpar e lubrificar a broca durante a abertura de poços de petróleo. A substância é composta de uma mistura de água, argila e produtos químicos, que ajuda a controlar a pressão do poço e a prevenir o colapso das paredes. De acordo com a Petrobras, não há problemas com a sonda nem com o poço. “A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração”, assegura a empresa.
Suíça/ Tragédia nos Alpes
Incêndio mata 40 turistas em bar de estação de esqui no Réveillon
O estabelecimento não era vistoriado pelas autoridades há cinco anos – Imagem: Tyrone Kings/AFP
Uma festa para celebrar a chegada do Ano Novo terminou em tragédia nos Alpes suíços, com um saldo de 40 mortos e 116 feridos. Um incêndio alastrou-se rapidamente pelo bar Le Constellation, localizado na estação de esqui de Crans-Montana, após velas de faísca entrarem em contato com o teto do estabelecimento, revestido com placas de espuma para o isolamento acústico. Frequentado por turistas de várias partes do mundo, o bar não era vistoriado pelas autoridades locais há cinco anos.
De acordo com investigações preliminares, havia sinalizadores fixados em embalagens de bebidas, que foram erguidos para o alto em um momento de descontração do público. “Tudo indica que o incêndio começou com as velas acesas, ou ‘luzes de Bengala’, que estavam presas a garrafas de champanhe. Elas ficaram muito perto do teto. A partir daí uma conflagração rápida e generalizada se alastrou”, explicou a promotora suíça Beatrice Pilloud, responsável pelo caso. Em nota, a prefeitura de Crans-Montana lamentou a tragédia e informou que proibirá o uso de artefatos pirotécnicos em ambientes internos de todos os estabelecimentos públicos da cidade.
No quintal chinês
Os ministros do Interior e da Educação de Taiwan, Liu Shyh-fang e Cheng Ying-yao, respectivamente, foram banidos pelo governo chinês por serem considerados “elementos radicais” a favor da independência da ilha. A decisão também se estende aos familiares, que agora estão impedidos de entrar na China continental, em Macau e em Hong Kong. Embora Taiwan tenha autonomia e até um presidente eleito democraticamente, o governo chinês considera a ilha parte “inalienável” de seu território. O banimento é visto como um recado de Pequim aos defensores da independência de Taiwan e como resposta aos Estados Unidos, que recentemente aprovaram a venda de peças e aeronaves para Taipé, a capital da ilha.
Alemanha/ Extremismo ambiental
Ataque incendiário provoca apagão em Berlim em meio ao frio intenso
A capital alemã registrou temperaturas abaixo de zero – Imagem: Odd Andersen/AFP
Um ataque incendiário ocorrido no sábado 3, em uma central termoelétrica de Berlim, deixou ao menos 45 mil residências sem energia elétrica e expostas a temperaturas abaixo de zero, por não poderem acionar o aquecedor. Segundo os investigadores, cabos elétricos foram destruídos por dispositivos incendiários, interrompendo o fornecimento de energia e afetando também as linhas ferroviárias e a conexão com a internet.
O Grupo Vulcão, uma rede extremista de esquerda, assumiu a autoria do ataque como protesto climático, reivindicação considerada verdadeira pela polícia. Em nota, a organização acusa a sociedade de exaurir o planeta em sua busca por energia. O comunicado ressalta que não havia a intenção de provocar o apagão e que o objetivo era atacar a indústria de combustíveis fósseis – a termoelétrica é movida a gás. Segundo as autoridades alemãs, os suspeitos serão investigados por “organização terrorista, sabotagem, incêndio criminoso e interrupção de serviços públicos”.
Publicado na edição n° 1395 de CartaCapital, em 14 de janeiro de 2025.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A Semana’
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