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Manifestantes bloqueiam estradas na Bolívia contra plano econômico do governo
Protestos pedem a revogação do decreto que eliminou os subsídios aos combustíveis, assinado em dezembro pelo presidente de centro-direita Rodrigo Paz
Várias estradas foram bloqueadas nesta terça-feira 6 na Bolívia em rejeição a um decreto do presidente de centro-direita Rodrigo Paz que eliminou os subsídios aos combustíveis, entre outras medidas, informou a agência estatal responsável pelas estradas no país.
Os manifestantes exigem a revogação do decreto, pois temem um aumento do custo de vida. O preço dos combustíveis dobrou e alguns produtos básicos também tiveram aumento nos mercados.
Desde a aprovação do decreto em dezembro, a Central Operária Boliviana (COB), o principal sindicato trabalhista do país, liderou os protestos de rua em La Paz, alguns dos quais derivaram em enfrentamentos com a tropa de choque da polícia.
Nos últimos dias, mais organizações aderiram ao movimento, como os campesinos e professores escolares, que alegam que o decreto favorece o grande capital privado na exploração dos recursos naturais, enquanto os setores populares carregarão o peso da inflação.
Na segunda-feira, o governo abriu um diálogo com os trabalhadores, mas estes abandonaram a reunião e convocaram seus seguidores a bloquear vias. Qualquer conversa, dizem, deve partir da anulação do decreto presidencial.
A agência responsável pelas estradas na Bolívia reportou nove pontos de bloqueio nas rodovias em La Paz (oeste), Pando (norte) e Potosí (sul).
Os manifestantes também alegam que o Poder Executivo teria usurpado funções do Congresso e que o decreto não foi discutido com os setores que seriam afetados.
A Bolívia atravessa sua pior crise econômica em quatro décadas devido a uma escassez de dólares.
A administração passada do esquerdista Luis Arce (2020-2025) esgotou as reservas de divisas para sustentar as subvenções à gasolina e ao diesel, que importava a preços internacionais e vendia com prejuízo no mercado interno.
A inflação em 12 meses registrada em dezembro foi de 20,4%, informou nesta terça o estatal Instituto Nacional de Estatística.
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