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Bombardeio em Caracas e sequestro de Maduro ultrapassam uma linha inaceitável, diz Brasil na OEA

Para o País, os atos do governo de Donald Trump representam também uma ameaça à comunidade internacional

Bombardeio em Caracas e sequestro de Maduro ultrapassam uma linha inaceitável, diz Brasil na OEA
Bombardeio em Caracas e sequestro de Maduro ultrapassam uma linha inaceitável, diz Brasil na OEA
Pronunciamento brasileiro na OEA, em 6 de janeiro de 2026. Foto: Reprodução
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O Brasil condenou na Organização dos Estados Americanos, nesta terça-feira 6, a agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, na madrugada do último sábado 3.

A manifestação partiu de Benoni Belli, representante permanente do Brasil na OEA. O órgão se reuniu nesta terça para uma sessão extraordinária, voltada a analisar os impactos do ataque norte-americano.

“O momento é grave e evoca tempos que considerávamos ultrapassados, mas que voltam a assolar a América Latina e o Caribe”, afirmou Belli. “Os bombardeios no território da Venezuela e sequestro de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável.”

Segundo o embaixador, os atos do governo de Donald Trump marcam uma grave afronta à soberania da Venezuela e uma ameaça à comunidade internacional, devido ao seu precedente “extremamente perigoso”.

“Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, enfatizou. “Esse raciocínio carece de legitimidade e abre a possibilidade de conferir aos mais fortes o direito de definir o que é certo ou errado e de ignorar as soberanias nacionais, ditando as decisões que devem tomar os mais fracos.”

O pronunciamento do governo brasileiro também sustenta que o multilateralismo é o único caminho disponível para assegurar igualdade e justiça entre os países. “Se perdermos isso, perderemos não só a independência, mas também a dignidade nacional, e seremos coadjuvantes na definição de nosso próprio destino.”

O risco, acrescentou Belli, é assistir ao colapso da ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial, que seria substituída por uma desordem “ainda mais injusta, violenta e opressiva, pois tenderá a ser regida pela lei da selva, sem qualquer tipo de contenção”.

Na segunda-feira 5, em reunião do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador do Brasil Sérgio Danese já havia declarado que os fins não justificam os meios. “Como o Brasil já afirmou diversas vezes, as normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais.”

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