Mundo

Milhares vão às ruas na Argentina contra a reforma trabalhista de Milei

A proposta limita o direito à greve, reduz indenizações e permite uma jornada de trabalho de 12 horas

Milhares vão às ruas na Argentina contra a reforma trabalhista de Milei
Milhares vão às ruas na Argentina contra a reforma trabalhista de Milei
Protesto contra reforma trabalhista reúne milhares de pessoas na Argentina, em 18 de dezembro de 2025. Foto: Juan Mabromata/AFP
Apoie Siga-nos no

Milhares de pessoas repudiaram, nesta quinta-feira 18, a reforma trabalhista promovida na Argentina pelo presidente Javier Milei, com uma manifestação em Buenos Aires convocada pela principal central sindical. É o primeiro protesto contra a iniciativa.

O projeto, que o Senado começou a discutir na véspera, limita o direito à greve, reduz indenizações e permite uma jornada de trabalho de 12 horas, entre outros pontos considerados inaceitáveis pela Confederação Geral do Trabalho (CGT).

Embora a iniciativa ressalte que as mudanças serão feitas por acordo mútuo, os sindicatos interpretam que a disparidade de força vai prejudicar os trabalhadores.

“A reforma significa colocar um companheiro contra o outro”, criticou o operário químico e representante sindical Julio Barroso, de 51 anos, na emblemática Praça de Maio. O projeto busca fazer com que “os trabalhadores percam força coletiva para se defender, e fomentar o ‘salve-se quem puder'”, disse à AFP, em meio a cartazes nos quais se lia: “Sem pão e trabalho não há paz”

O governo afirma que a legislação atual “paralisa” as contratações e argumenta que as mudanças vão dinamizar o mercado, que tem quase 40% da sua força de trabalho no setor informal, em meio a uma economia com sinais de recessão. Também considera a lei trabalhista obsoleta e que ela é o principal obstáculo à criação de empregos formais, e propõe a flexibilização dos contratos de trabalho e a redução dos encargos patronais.

O secretário do Trabalho, Julio Cordero, disse na quarta-feira 17 a uma comissão do Senado que a lei atual “paralisa contratações” porque “há o temor de entrar em um mundo que se mostra conflituoso”.

Para Pablo Ríos, de 44 anos, funcionário de um hospital, “essa lei, pensada para o empresário ou o dono da empresa, não vai funcionar”.

À manifestação convocada pela CGT somaram-se medidas de força de sindicatos que realizaram greve, como os controladores aéreos, com paralisações rotativas.

A Confederação denunciou em redes sociais que controles policiais impediam a entrada de caravanas de ônibus com manifestantes, a fim de reduzir a participação no protesto.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

2026 já começou

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo