Mundo
UE impõe multa de 120 milhões de euros ao X, rede social de Elon Musk
A plataforma foi punida com base na legislação para combater conteúdos online considerados ilegais e perigosos
A União Europeia impôs, nesta sexta-feira 5, uma multa de 120 milhões de euros (R$ 741,6 milhões, na cotação atual) à rede social X, de propriedade de Elon Musk, o que pode provocar outro confronto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A sanção corresponde a infrações notificadas à plataforma em julho de 2024, quando a UE a acusou de enganar os usuários com o sistema azul de verificação – que supostamente certifica as fontes de informação –, de não ser suficientemente transparente em relação à publicidade e de não respeitar a obrigação de acesso aos dados internos por investigadores credenciados.
Antes mesmo de que a decisão fosse oficializada, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, havia criticado os passos que a União Europeia estava tomando.
“A UE deveria defender a liberdade de expressão em vez de atacar empresas americanas por besteiras”, declarou, uma afirmação que Musk agradeceu pouco depois.
A multa sobre o X “não tem nada a ver com censura”, afirmou a vice-presidente da Comissão Europeia responsável por temas digitais, Henna Virkkunen, ao ser questionada por jornalistas.
“Não estamos aqui para impor as multas mais altas. Estamos aqui para garantir que nossa legislação digital seja cumprida”, acrescentou. “Se cumprem nossas regras, não aplicamos multas: é simples assim”, destacou.
Esta é a primeira sanção aplicada pela Comissão Europeia no âmbito da Lei de Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês), aprovada há dois anos para combater conteúdos ilegais e perigosos online.
Caráter político
Antes de Musk comprar a plataforma em 2022, a rede, que então se chamava Twitter, concedia o selo azul aos usuários após um processo de verificação de identidade, destinado a evitar fraudes.Mas, após adquiri-la por 44 bilhões de dólares (232 bilhões de reais na cotação atual) e renomeá-la “X”, Elon Musk reservou esses selos aos perfis com assinaturas pagas, o que poderia, segundo Bruxelas, induzir os usuários ao erro.
A UE ampliou sua investigação sobre o X ao suspeitar de violações em matéria de conteúdos ilegais e desinformação. No entanto, ainda não concluiu sua apuração.
O caso adquiriu um caráter político devido à proximidade entre Musk e o presidente americano, Donald Trump. Ambos estavam muito próximos até se desentenderem em junho. Nas últimas semanas, protagonizaram uma nova aproximação, mas não ao nível de antes.
No final de novembro, um grupo de representantes americanos viajou a Bruxelas e pediu à UE que flexibilizasse essas leis, em troca de uma redução das tarifas de seu país sobre o aço do bloco.
A proposta foi rejeitada pelos europeus, que reafirmaram seu direito soberano de adotar e aplicar suas próprias leis.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Com show e presença de Trump, sorteio da Copa 2026 vai definir grupos em Washington
Por RFI
Trump quer controle da América Latina e militarização; leia plano completo
Por Jamil Chade
Enciclopédia on-line de Musk se baseia em ‘fontes duvidosas’, aponta estudo
Por AFP


