Política
Augusto Heleno acusa Moraes de ‘quebra da imparcialidade’ em recurso no STF
O general da reserva foi condenado a 21 anos de prisão em regime fechado por sua participação na trama golpista
O ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional e general da reserva, Augusto Heleno, apresentou nesta segunda-feira 24 novos embargos de declaração contra a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal que condenou o militar a 21 anos de prisão por sua participação na trama golpista.
No documento, os advogados de Heleno acusaram o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, de causar “evidente prejuízo à defesa” ao assumir o protagonismo na formulação das perguntas. “Configurando quebra da imparcialidade necessária ao julgamento da presente demanda”, diz.
“É perceptível que a postura do ministro foi grave a ponto de comprometer o devido processo legal, sendo evidente e intuitivo o prejuízo ocasionado aos réus (…) formulou perguntas, para além daquilo que pode ser admitido a título de esclarecimento ou complementação”, registrou.
Além disso, a defesa afirmou que o colegiado não citou nenhuma ação do parte do réu. “Apenas se afirma que ele seria Ministro do Gabinete de Segurança Institucional. Responsabilizá-lo somente por isso significa impor responsabilidade objetiva, o que torna o referido voto obscuro, pois dá a entender que, apenas pelo fato de ser Ministro, responderia por órgãos que estivessem vinculados a ele”.
Agora, cabe a Moraes decidir sozinho ou levar a questão para julgamento na Primeira Turma. Se o ministro considerar o recurso como meramente protelatório, pode determinar que o processo entre em trânsito em julgado.
Heleno foi condenado a 21 anos de prisão em regime fechado. Moraes destacou que Heleno manteve contato direto com Bolsonaro durante todo o período da conspiração e que sua posição de respeito nas Forças Armadas agravava sua culpabilidade.
A pena foi atenuada em alguns pontos pela idade superior a 70 anos, mas ainda assim considerada grave diante da liderança exercida na organização criminosa.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Defesa de Augusto Heleno tenta descolar general de Bolsonaro para negar participação em plano de golpe
Por Vinícius Nunes
Os slides de Augusto Heleno para o julgamento do golpe
Por CartaCapital



