Mundo
Fundação humanitária apoiada pelos EUA diz que terminou sua missão em Gaza
A organização, cujo financiamento é pouco transparente, foi implantada em maio no território palestino em guerra
A organização humanitária GHF, apoiada por Israel e pelos Estados Unidos e fortemente criticada pela ONU, anunciou nesta segunda-feira 24 que concluiu sua missão em Gaza, alegando ter fornecido dezenas de milhões de refeições gratuitas “sem desvio” da ajuda pelo Hamas.
A Gaza Humanitarian Foundation (GHF) anunciou em um comunicado “o sucesso na conclusão de sua missão de emergência em Gaza após distribuir mais de 187 milhões de refeições gratuitas diretamente aos civis, como parte de uma operação humanitária recorde que garantiu que a ajuda alimentar chegasse às famílias palestinas de forma segura e sem desvio pelo Hamas ou outras entidades”.
A organização, cujo financiamento é pouco transparente, foi implantada em maio no território palestino em guerra, após dois meses de bloqueio humanitário total imposto por Israel, e foi fortemente criticada pela comunidade humanitária internacional.
Suas distribuições de alimentos foram marcadas por violência que matou mais de 1.000 pessoas nas proximidades de suas instalações, segundo o escritório de direitos humanos da ONU.
A ONG rejeitou as críticas e sua responsabilidade nessas violências.
“Em um momento crítico, estamos orgulhosos de ter sido a única operação de ajuda capaz de fornecer de maneira confiável e segura refeições gratuitas diretamente ao povo palestino de Gaza, em grande escala e sem desvio”, comemorou seu diretor John Acree, citado no comunicado.
“O modelo da GHF, no qual o Hamas não podia mais saquear e lucrar com o desvio da ajuda, desempenhou um papel importante para levar o Hamas à mesa de negociações e alcançar um cessar-fogo. Agradecemos por tudo o que trouxeram aos habitantes de Gaza”, elogiou no X o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



