Olho na COP

Veterano das grandes conferências mundiais, o repórter Maurício Thuswohl acompanha os preparativos e bastidores e desafios da Conferência do Clima em Belém.

Olho na COP

Eventos climáticos forçaram 250 milhões de deslocamentos em dez anos, indica a ONU

Um relatório lançado na COP30 mostra que desastres climáticos já provocam 70 mil deslocamentos por dia e atingem com mais força populações que fogem de guerras e perseguições

Eventos climáticos forçaram 250 milhões de deslocamentos em dez anos, indica a ONU
Eventos climáticos forçaram 250 milhões de deslocamentos em dez anos, indica a ONU
Refugiados fazem fila para receber ajuda alimentar do Programa Mundial de Alimentos. (Foto: MOHAMED DAHIR / AFP) Refugiados fazem fila para receber ajuda alimentar do Programa Mundial de Alimentos. (Foto: MOHAMED DAHIR / AFP)
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Em uma sessão conduzida pelo italiano Filippo Grandi, alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a ONU lançou oficialmente, durante a COP30, o relatório Sem Escapatória II: o caminho a seguir”. O documento faz um alerta contundente: os eventos climáticos extremos, somados aos conflitos armados e crises humanitárias espalhados pelo mundo, estão criando um ciclo vicioso que aprisiona milhões de pessoas em sucessivos deslocamentos forçados.

Nos últimos dez anos, desastres relacionados ao clima provocaram 250 milhões de deslocamentos internos — uma média de 70 mil pessoas por dia obrigadas a deixar suas casas.

Segundo o Acnur, em meados deste ano, 117 milhões de pessoas já haviam sido deslocadas por guerras, violência e perseguição. Destas, três em cada quatro vivem em países com alta ou extrema exposição a riscos climáticos. “Esses eventos estão minando as chances de recuperação, ampliando as necessidades humanitárias e multiplicando o risco de deslocamentos repetidos”, destaca o relatório.

O documento cita como exemplos as inundações que devastaram o Sudão do Sul e o Brasil em 2025, o calor recorde no Quênia e no Paquistão e a escassez de água no Chade e na Etiópia. “O clima extremo está levando comunidades já frágeis ao limite”, resume o texto.

Grandi reforçou a gravidade do cenário: “Eventos climáticos extremos estão limitando o acesso a serviços essenciais, destruindo casas e meios de subsistência, e obrigando famílias — muitas já fugidas da violência — a fugir mais uma vez.” O alto-comissário lamentou que populações que já sofreram perdas imensas em conflitos precisem agora enfrentar também os efeitos do aquecimento global e da degradação ambiental: “Essas pessoas estão entre as mais afetadas por secas severas, inundações e ondas de calor recordes, com os recursos mais escassos para se recuperar.”

O repórter viajou a convite da Associação Terrazul e do FBOMS.

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