Economia

A desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil, segundo relatório do governo federal

Pesquisa analisou salários de 54 mil empresas com 100 funcionários ou mais

A desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil, segundo relatório do governo federal
A desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil, segundo relatório do governo federal
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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O Ministério do Trabalho e Emprego publicou nesta segunda-feira 3 o novo Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios. A quarta edição do documento revela que, em média, as mulheres recebem 21% menos do que os homens em empresas com 100 ou mais funcionários.

A pesquisa analisou que as mulheres chegam a receber, em média, 1.050 reais a menos que os homens. A média salarial feminina é de 3.908 reais contra 4.958 reais pagos a homens. Os novos dados foram coletados entre o segundo semestre do ano passado e o primeiro semestre de 2025. Os salários pagos por 54 mil empresas foram analisados.

O levantamento mostrou que para as mulheres negras a situação é ainda pior: elas recebem 46% a menos que um homem branco. No rendimento médio, as mulheres negras recebem menos da metade do salário dos homens negros: são 2.986 reais contra 6.391 reais. Na admissão, a diferença é de 33,5%.

A respeito dos cargos de ocupação, trabalhadoras de serviços administrativos e ocupações que requerem nível superior representam as maiores diferenças salariais. A quase igualdade salarial é vista apenas em trabalhos de demanda operacional, como funções logísticas em indústrias.

A desigualdade salarial registrada nesta 4ª edição do relatório representa, na prática, uma estabilidade em relação ao estudo anterior, divulgado em abril.

Maior participação de mulheres

Apesar da alta desigualdade salarial, o governo federal constatou, no relatório, um leve aumento na participação das mulheres no mercado de trabalho. O índice saltou de 40,6% para 41%, no período. Os homens ocupam 59% dos mais de 19 milhões e 400 mil postos de trabalho.

A massa de remuneração das mulheres, no entanto, corresponde a apenas 35% do total de rendimentos dos estabelecimentos analisados.

Diferença por estado

Entre os estados com maior diferença salarial média estão Paraná e Rio de Janeiro, com 28,5%; eles são seguidos por Santa Catarina, Mato Grosso e Espírito Santo, com índices em torno de 27%.

Já os estados com a menor diferença são Piauí, 7%; Amapá, Acre e Distrito Federal, com quase 9% de diferença salarial.

Fiscalização

Neste ano, o Ministério do Trabalho e Emprego já realizou 787 ações de fiscalização e expediu 154 autos de infração pelos descumprimentos da lei.

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