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Texas processa fabricantes de Tylenol com base em teoria propagada por Trump

A OMS desqualificou o argumento. Empresa se defende e critica ‘perpetuação da desinformação’

Texas processa fabricantes de Tylenol com base em teoria propagada por Trump
Texas processa fabricantes de Tylenol com base em teoria propagada por Trump
Donald Trump. Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP
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O estado do Texas processou, nesta terça-feira 28, as empresas Johnson & Johnson e Kenvue por venderem o medicamento Tylenol a mulheres grávidas pelo risco que teria de provocar autismo nas crianças. O argumento é promovido pelo presidente americano, Donald Trump, mas desqualificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em setembro, Trump vinculou o paracetamol ou acetaminofeno — principal componente do Tylenol, vendido livremente nos Estados Unidos — a um alto risco de causar autismo em crianças, uma condição do desenvolvimento neurológico que afeta as capacidades comunicativas e de relacionamento humano.

Trump desaconselhou seu uso por mulheres grávidas e crianças, apesar de este remédio popular ser recomendado por médicos para aliviar dores das gestantes.

Em linha com esse argumento, o procurador-geral do Texas e aliado de Trump, Ken Paxton, processou a farmacêutica Johnson & Johnson e a empresa de saúde do consumidor Kenvue “por comercializarem enganosamente Tylenol para as grávidas, apesar de saberem que a exposição precoce ao acetaminofeno, seu único ingrediente ativo, aumenta significativamente o risco de autismo e outros transtornos”.

“Durante décadas, a Johnson & Johnson ignorou deliberadamente e tentou silenciar a evidência científica de que a exposição pré-natal e na primeira infância de seus produtos de acetaminofeno pode causar autismo e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em crianças”, disse Paxton.

Por meio de um porta-voz, a multinacional americana Johnson & Johnson explicou que há anos se desfez do negócio de saúde para o consumidor e todos os direitos e responsabilidades associados com a comercialização de seus produtos de venda livre, incluído o Tylenol (acetaminofeno), são da Kenvue.

A Kenvue, também americana, disse por sua vez que se “defenderá energicamente contra estas afirmações” que “carecem de fundamento legal e respaldo científico”, e expressou sua “profunda preocupação” com a “perpetuação da desinformação sobre a segurança do acetaminofeno”.

“O acetaminofeno é o analgésico mais seguro para as mulheres grávidas, segundo seja necessário, durante toda a gestação. Sem ele, as mulheres enfrentam decisões perigosas: sofrer afecções como febre, potencialmente prejudiciais tanto para a mãe quanto para o bebê, ou recorrer a alternativas mais arriscadas”, assegurou a Kenvue em um comunicado.

Após os comentários de Trump, em setembro, a OMS negou que haja um vínculo comprovado entre o paracetamol e as vacinas com o autismo.

“Alguns estudos de observação sugeriram uma possível associação entre a exposição pré-natal ao paracetamol e o autismo, mas as provas seguem sendo inconsistentes”, declarou na ocasião o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic.

“Vários estudos não estabeleceram nenhuma relação deste tipo”, afirmou, pedindo “prudência antes de concluir que existe uma relação causal”, acrescentou.

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