Economia
Haddad busca resgatar trechos ‘incontroversos’ da MP do IOF após reunião com Alcolumbre
O ministro defende reaproveitar medidas de consenso da MP 1.303, derrubada pela Câmara, e diz que objetivo é manter a consistência das leis que sustentam o Orçamento de 2026
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira 15 que o governo pretende recuperar partes consideradas “incontroversas” da Medida Provisória 1.303, que previa aumento de arrecadação e perdeu a validade após não ser votada pela Câmara dos Deputados. A declaração foi dada a jornalistas após reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para tratar da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026.
Segundo Haddad, a proposta é aproveitar trechos da MP que contavam com apoio tanto do governo quanto do Congresso, como o controle de cadastros e o disciplinamento das compensações tributárias. “Toda a parte de controle de cadastro, estava todo mundo de acordo. A questão do disciplinamento de compensação, estava todo mundo de acordo. Nem tinha emenda sobre isso”, disse o ministro. “Coloquei para ele [Alcolumbre] as alternativas que nós temos daquilo que é incontroverso nós recuperarmos de alguma maneira.”
O ministro ressaltou que a conversa com o presidente do Senado teve como foco a busca por um “cenário consistente” entre as leis orçamentárias em tramitação. “Não adianta aprovar uma lei numa direção e outra em outra direção”, afirmou, defendendo que todas as decisões do Legislativo sobre receitas e despesas sejam compatíveis com a peça orçamentária.
A reunião ocorreu em meio ao adiamento da votação da LDO na Comissão Mista de Orçamento, pedido pelo próprio governo após a derrubada da MP do IOF. O texto da medida previa cerca de 17 bilhões de reais em novas receitas no próximo ano, e sua extinção obrigou a equipe econômica a discutir alternativas para recomposição.
Haddad disse que ainda não apresentou as novas propostas ao presidente Lula (PT), mas que as conversas com o Congresso devem continuar até o fim da semana. “O importante é garantir a consistência entre as decisões e manter uma execução orçamentária tranquila, como tivemos em 2024 e 2025”, afirmou.
Uma reunião entre o ministro da Fazenda, o presidente e auxiliares está prevista para esta tarde, em Brasília.
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