Economia

Trump ameaça deixar de comprar óleo de cozinha da China

As importações americanas de gorduras animais e óleos processados dispararam nos últimos anos, impulsionadas pelo aumento da produção nacional de diesel de biomassa

Trump ameaça deixar de comprar óleo de cozinha da China
Trump ameaça deixar de comprar óleo de cozinha da China
Trump e Xi Jinping seguem com a guerra comercial. Fotos: Mandel NGAN / AFP e Sergey Bobylev / POOL / AFP
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O presidente Donald Trump disse nesta terça-feira 14 que a decisão da China de parar de comprar soja dos Estados Unidos é um “ato hostil”, e anunciou que, em resposta, considera deixar de importar óleo de cozinha chinês.

“Estamos considerando encerrar nossos negócios com a China no que se refere a óleo de cozinha e outros elementos de comércio, como retaliação”, publicou Trump na plataforma Truth Social.

No último domingo, o presidente americano havia parecido recuar em sua retórica combativa, em publicação na mesma plataforma, na qual afirmou que “tudo ficará bem” e que seu país desejava “ajudar” a China.

Em entrevista ao jornal Financial Times, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, acusou Pequim de querer prejudicar a economia mundial, após a decisão do gigante asiático de impor novos controles sobre as exportações de terras raras, um setor dominado pela China e crucial para a produção de metais essenciais para as indústrias automobilística, eletrônica e de defesa.

“Isso é um sinal de o quão frágil é a sua economia, e querem arrastar todos os outros com eles”, disse Bessent na segunda-feira. Trump acrescentou que Washington deve “ter cuidado com a China”. “Tenho uma grande relação com o presidente Xi, mas, às vezes, ela se torna tensa, porque a China gosta de se aproveitar das pessoas.”

Na rede Truth Social, o presidente americano destacou que a interrupção das compras pela China causava dificuldades para os produtores de soja dos Estados Unidos.

As importações americanas de gorduras animais e óleos processados dispararam nos últimos anos, impulsionadas pelo aumento da produção nacional de diesel de biomassa, segundo dados do governo.

A China impõe desde hoje tarifas especiais aos navios americanos que entram em seus portos, em resposta a medidas semelhantes de Washington, e ressaltou que está pronta para “lutar até o fim” em uma guerra comercial com os Estados Unidos.

“No que diz respeito às guerras tarifárias e comerciais, a postura da China continua sendo a mesma”, disse um porta-voz do Ministério do Comércio. “Se quiserem lutar, lutaremos até o fim; se quiserem negociar, nossas portas permanecem abertas.”

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