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Praças sem muros, vidas em movimento
Em um ano, as Vilas Sociais somam mais de 94 mil atendimentos e oferecem esporte, cultura e qualificação em Fortaleza
As crianças correm e gritam pela quadra como se o tempo fosse elástico. Cada chute na bola é acompanhado de risadas, cada volta na brinquedopraça vira desafio entre amigos. Ao lado, adultos aproveitam a academia ao ar livre, enquanto idosos seguem o compasso de uma aula de dança. Em poucos metros, a vida comunitária pulsa em diferentes formas de alegria.
Inaugurada em junho de 2024, a unidade do Genibaú foi a primeira de Fortaleza. Em pouco mais de um ano, somando também as Vilas de Messejana e Canindezinho, os equipamentos já registraram mais de 94 mil participações em atividades esportivas, culturais e de formação profissional. O número mostra a adesão da população a uma proposta que une lazer, cultura e aprendizado em territórios marcados pela busca de oportunidades.
Estrutura aberta à comunidade
As Vilas Sociais substituem as antigas Vilas Olímpicas e oferecem uma gama de espaços: academia ao ar livre, brinquedopraça, areninha, quadras de areia e poliesportivas, salas de ritmos, de informática e multiuso. Além das atividades conduzidas pelo Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Proteção Social (SPS) e com apoio das secretarias do Esporte e da Juventude, as Vilas também recebem projetos idealizados pelos próprios moradores.
O acesso é simples. Para participar das atividades, basta procurar a secretaria de cada unidade, com documentos como RG, CPF e comprovante de residência. Não há cobrança de taxas. A proposta é garantir que qualquer pessoa da comunidade possa ocupar o espaço e encontrar ali um ponto de apoio para desenvolver novas práticas.
Cada unidade se tornou ponto de encontro da comunidade. Apenas no Genibaú, cerca de 300 pessoas frequentam o espaço diariamente. Crianças e adolescentes participam de aulas de futsal, basquete, balé ou rodas de conversa. Adultos e idosos encontram nas atividades de dança, artes marciais e treinos funcionais uma forma de manter corpo e mente ativos.

Foto: Mariana Parente
Vidas que se cruzam
As histórias de quem frequenta esses espaços revelam o alcance da iniciativa. Seu Cícero das Neves, 71 anos, se anima com as tardes de forró e zumba, além de acompanhar o filho Iury, de nove anos, no futsal. O adolescente Kauã Camelo, 12 anos, descobriu no balé e nas rodas de conversa um caminho para se expressar melhor.
A estudante Rafaela Cacimiro, 13 anos, troca parte do tempo no celular pelas aulas de balé, enquanto sua madrasta, Maria Verineide, aproveita a academia ao ar livre. Já Aparecida
Alves, 65 anos, vibra ao usar o computador pela primeira vez. “Agora já consigo pesquisar no Google e até fazer trabalhos da escola. Está sendo transformador para mim”, conta.
No bairro de Messejana, onde a Vila Social foi entregue em julho de 2024, a moradora Tereza Souza se emocionou com o novo espaço: “Tive toda uma vida aqui, construí uma família e nunca tinha visto algo assim”. Para ela, a possibilidade de fazer aulas perto de casa representa mudança no cotidiano.
Mais que esporte
Além do lazer, as Vilas também oferecem cursos de qualificação e oficinas voltadas ao empreendedorismo, fortalecendo a autonomia das famílias. A inclusão digital abre novas portas para quem nunca teve acesso a computadores, enquanto as atividades culturais aproximam gerações.
Na unidade de Messejana, o investimento de R$ 5,1 milhões possibilitou a instalação de pista de skate, pista de cooper, espiribol e ginásio poliesportivo, somando-se às quadras e brinquedopraças. O espaço abriga ainda a Casa da Juventude Cearense (Caju), que disponibiliza coworking, atendimento psicossocial e cursos on-line e presenciais.
O atendimento na Caju inclui aconselhamento individual, grupos temáticos, acompanhamento vocacional e encaminhamentos para serviços de saúde mental e social. O objetivo é garantir que os jovens encontrem suporte próximo de casa, evitando deslocamentos longos até outras regiões da cidade.
Para jovens como Luiz Henrique, 18 anos, o equipamento já faz parte da rotina: “Aqui é um lugar muito grande, que vai sempre estar acontecendo muita coisa ao mesmo tempo. Com certeza irei utilizar muito esse espaço”.
Espaço vivo
Outro diferencial das Vilas Sociais é a gestão compartilhada. Cada unidade conta com um comitê local formado por moradores, que participa das decisões sobre uso dos espaços e propõe novas atividades. A ideia é que a programação não seja estática, mas evolua de acordo com as necessidades da própria comunidade e que o formato ajude a aproximar diferentes públicos.
Enquanto uma sala recebe aulas de ritmos, outra há curso de informática para adultos ou oficina de balé para crianças. No mesmo horário, a areninha está ocupada por adolescentes jogando futebol e a pista de skate por jovens em manobras. O resultado é um espaço múltiplo, que funciona o dia inteiro e serve como referência para quem mora nos bairros vizinhos.
Mais de 94 mil participações em um ano indicam que as Vilas já extrapolam a condição de obras de infraestrutura. Elas se tornaram praças sem muros, abertas à convivência e ao encontro. Espaços em que diferentes gerações compartilham rotinas, descobertas e oportunidades.
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