Política
A manobra do PL para tentar salvar o mandato de Eduardo Bolsonaro na Câmara
A sigla tenta nomear o parlamentar para um cargo de liderança na Casa e justificar faltas como ‘missão autorizada’
O PL indicou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como líder da minoria na Câmara dos Deputados, em uma estratégia para tentar evitar que o congressista perca o mandato por faltas acumuladas. Eduardo está nos Estados Unidos desde fevereiro e corre risco de ser destituído caso ultrapasse um terço de ausências não justificadas nas sessões ordinárias.
Atualmente, a liderança da minoria é ocupada por Caroline de Toni (PL-SC), aliada próxima do ex-presidente Jair Bolsonaro. Pelo acordo do PL, ela abre mão do posto, assumindo a vice-liderança e cuidando das negociações em Brasília enquanto Eduardo permanece no exterior. A mudança permitiria, em tese, ao deputado alegar que suas ausências fazem parte de uma “missão autorizada”, prerrogativa que flexibiliza a contagem de faltas para líderes partidários.
Caroline de Toni justificou a decisão como um gesto político de solidariedade à família Bolsonaro: “Tomamos essa decisão convictos que o Brasil precisa de união e coragem especialmente diante das perseguições políticas que tanto Eduardo quanto seu pai Jair Bolsonaro estão sofrendo, além de todas as outras pessoas envolvidas com o 8 de janeiro”.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), também defendeu a manobra e exaltou o “trabalho” de Eduardo durante sua permanência nos Estados Unidos. “Ademais as críticas de algumas pessoas, nós do PL reconhecemos o brilhante trabalho que o nosso deputado Eduardo Bolsonaro tem feito naquele país e, de lá, baseado na resolução da Mesa Diretora da Câmara, nós nomearemos a partir de agora como o líder”, afirmou.
Apesar do anúncio, não há confirmação de que Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, tenha concordado com a indicação. A nomeação de líderes partidários depende da chancela do presidente da Casa, e aliados de Eduardo não detalharam como a autorização seria obtida caso Motta não aceite o acordo.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.



