Política
Exército confirma pedido de aposentadoria antecipada de Mauro Cid
O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro é delator no processo da trama golpista, que pode levar o ex-presidente à prisão
O Exército confirmou ter recebido o pedido de baixa (aposentadoria antecipada) do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) e um dos réus do julgamento iniciado nesta semana pela trama golpista de 2022.
A solicitação foi antecipada pelo advogado Jair Alves Pereira, que apresentou a defesa de Cid aos ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal em uma das sessões do primeiro dia de julgamento, na terça-feira 2.
“Inclusive, agora, pediu baixa do Exército, pois não tem mais condições psicológicas de continuar como militar”, disse Pereira aos ministros. A CartaCapital, o advogado afirmou que o pedido foi formalizado no início de agosto.
Se for autorizada a baixa, Cid passará a integrar a chamada reserva, que prevê o pagamento de salários. O Centro de Comunicação Social do Exército confirmou o pedido, que agora será analisado por diferentes instâncias da Força.
O cronograma prevê que os interessados em pedir baixa devem formalizar o pedido antes de outubro do ano corrente. Nos meses seguintes, os requerimentos recebidos são analisados por diversas instâncias internas, e a lista com os militares que deixarão a ativa rumo à reserva é publicada em janeiro do ano seguinte. A transferência definitiva para a reserva, se confirmada, se efetiva em março.
A legislação vigente prevê que os militares no posto de tenente-coronel precisam ter 25 anos de serviço para poder pleitear a transferência para a reserva. Como se formou em novembro de 2000 na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), Cid completará o prazo necessário ainda neste ano.
Mauro Cid era o braço direito de Bolsonaro na época que o ex-capitão passou pelo Palácio do Planalto. O ajudante de ordens era responsável por tarefas políticas, financeiras e até domésticas. A delação dele foi peça-chave para o andamento das investigações.
Cid foi preso em março de 2024, quando o STF considerou que ele descumpriu medidas cautelares e obstruiu a Justiça ao vazar áudios para a imprensa. Com a confirmação da delação, em setembro de 2024, ele passou para prisão domiciliar.
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