Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
Fabiana Cozza celebra 30 anos de carreira com novo disco que amplia fronteiras do samba
O primeiro sinal desse novo caminho chega em 2 de dezembro, com o lançamento de um single inédito
Em 2026, Fabiana Cozza terá dois motivos para comemorar: completa 30 anos de carreira e chega aos 50 anos de idade. Para marcar a virada, prepara o lançamento de seu 10º álbum, um trabalho que pretende reafirmar sua força como intérprete para além do samba.
“A sonoridade desse disco me impulsiona e me dá a possibilidade de me apresentar como intérprete não só e necessariamente do samba, mas também da canção, da balada”, contou em entrevista a CartaCapital.
O primeiro sinal desse novo caminho chega em 2 de dezembro, com o lançamento de um single inédito de Robson Batuta. “É um sambista espetacular”, define. A faixa traz um arranjo que mistura piano, baixo e bateria ao batuque do grupo Berço de Samba de São Mateus.
Segundo Cozza, essa combinação será um dos fios condutores do disco: “Tem faixas com piano, baixo e bateria, com ou sem batucada. Ou só batucada.” A direção artística é do baixista e arranjador Fi Maróstica, parceiro também em Dos Santos (2020). O último trabalho da cantora foi Urucungo (2023), dedicado às composições de Nei Lopes.
Homenagens a grandes nomes não são novidade em sua trajetória. Antes de Nei Lopes, Fabiana já havia mergulhado em repertórios de Clara Nunes, Dona Ivone Lara e do cubano Bola de Nieve. “A cultura é irmã da educação. Gosto de pensar que essas pessoas são lideranças em termos de potência poética e criativa. Esses nomes precisam ficar marcados na história”, afirma.
O vínculo com a música começou cedo, na Barra Funda, em São Paulo, pelas mãos do pai, ligado à escola de samba Camisa Verde e Branco. “A primeira orquestra que conheci foi uma bateria com quase 250 ritmistas. Isso foi moldando uma musicalidade muito específica em mim”, recorda.
Nos anos 2000, seu talento ganhou corpo em outro berço: o bar Ó do Borogodó, na Vila Madalena, reduto de sambistas e improvisadores. “Foi uma escola. Lá pude experimentar repertórios, influenciada pela diversidade dos músicos que frequentavam o espaço. Uma casa modesta, mas com a mesma potência dos grandes clubes de jazz do mundo”, diz.
Fabiana lançou seu primeiro disco, Samba é Meu Dom, em 2004, com grande repercussão. De lá para cá, firmou-se como uma das principais vozes do país, entre álbuns, shows e projetos que a projetaram nacionalmente. Agora, às vésperas de completar meio século de vida, prepara-se para reafirmar sua identidade artística — enraizada no samba, mas sempre aberta a novos caminhos.
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