Economia
Após mudança estratégica, BP anuncia maior descoberta de petróleo em 25 anos na costa brasileira
A companhia britânica recuou em sua estratégia de investimentos em energias renováveis e voltou a focar na indústria de petróleo e gás
A gigante britânica BP anunciou nesta segunda-feira 4 que fez sua maior descoberta de petróleo e gás em 25 anos na costa do Brasil. Esta é a décima reserva encontrada em 2025 pela empresa, que tem renovado o foco em combustíveis fósseis, como destaca o jornal britânico The Guardian.
“Temos o prazer de anunciar esta descoberta significativa (…), a maior feita pela BP em 25 anos”, declarou Gordon Birrell, vice-presidente executivo da empresa, em um comunicado oficial à imprensa.
A reserva de petróleo e gás foi encontrada em uma região de águas profundas da Bacia de Santos, a 400 km da costa brasileira e a cerca de 2,4 km de profundidade.
“Os resultados da análise no local de perfuração indicam níveis elevados de dióxido de carbono”, disse a BP, acrescentando que “agora iniciará análises em laboratórios para caracterizar melhor o reservatório e os fluidos descobertos”.
Após o anúncio, as ações do grupo subiram cerca de 1,5% nesta segunda-feira na bolsa de valores de Londres, um dia antes da apresentação dos resultados do segundo trimestre, que ocorrerá nesta terça-feira 5.
Recuo na estratégia climática
Em fevereiro, o grupo recuou em sua estratégia climática ambiciosa para se concentrar novamente em petróleo e gás, com o anúncio de uma redução nos investimentos em energias renováveis, contrariando as expectativas das organizações que atuam na defesa do meio ambiente.
“O plano da BP de se tornar uma empresa de energia net zero enfrentou uma série de obstáculos e imprevistos desde que foi colocado em prática no início de 2020”, resume o jornal The Guardian.
“A pandemia de Covid-19 desencadeou um de seus piores resultados financeiros desde que a empresa reportou um prejuízo de 4,9 bilhões de dólares (27 bilhões de reais) após o vazamento de petróleo da Deepwater Horizon. Um ano depois, em 2022, foi forçada a arcar com um prejuízo de 25 bilhões de reais (138,5 bilhões de reais) após se desfazer de sua participação na petrolífera russa Rosneft depois da invasão da Ucrânia pelo Kremlin”, resume o diário britânico.
Segundo o analista econômico Russ Mould, o grupo deve se basear em seus resultados desta terça-feira “para convencer o mercado de que realmente revisou sua estratégia e se distanciou da transição verde, considerada impopular por uma parcela significativa de seus acionistas”.
“Se a BP queria notícias capazes de convencer os mercados de sua mudança de foco em hidrocarbonetos antes da publicação de seus resultados”, esta descoberta “é uma delas”, avalia Mould.
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