‘Pressão interna’ explica as exceções no tarifaço

Rafael Ioris, professor de História Latino-Americana na Universidade de Denver, fala sobre o que deixou mais de 700 produtos brasileiros de fora das taxas de 50%

O Brasil normalmente não está no radar da mídia norte-americana, mas nesta semana foi diferente, graças às sanções contra o ministro Alexandre de Moraes pela Lei Magnitsky, ao “tarifaço” de 50% contra exportações brasileiras e à entrevista do presidente Lula ao The New York Times. A taxação extrema contra produtos do Brasil tem, como pano de fundo, um alinhamento ideológico de Donald Trump ao ex-capitão Jair Bolsonaro e ao seu filho Eduardo. Entretanto, o decreto do “tarifaço” apresenta mais de 700 isenções a produtos cruciais, como minérios, certos produtos do agronegócio e aviões, como os produzidos pela Embraer. Para analistas, além das tentativas de negociação por parte de agentes brasileiros, a intervenção de agentes econômicos dos Estados Unidos pode ter sido crucial para o estabelecimento dessas exceções — e isso demonstra que existe um espaço, dentro do próprio “establishment” norte-americano, para o Brasil agir em defesa dos seus interesses.

Cacá Melo

Cacá Melo
Produtor audiovisual em CartaCapital

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