Política
Tarifaço: Tarcísio minimiza e chama exigência por anistia de ‘ponto de vista’
O governador de São Paulo afirmou que os Poderes precisam ‘estar de mãos dadas’ para resolver a crise
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), minimizou neste sábado 12 as declarações da família Bolsonaro exigindo a anistia em troca do levantamento das tarifas impostas do Donald Trump e classificou as exigências como um “ponto de vista”.
“Isso é questão de ponto de vista, nesse momento eu tenho que olhar o estado de São Paulo. Eu sou governador do estado, existem interesses que precisam ser preservados, interesses das nossas empresas, dos nossos produtores”, disse em uma agenda no município de Cerquilho (SP).
Tarcísio, que é um dos cotados para disputar pela direita ao Palácio do Planalto, mudou o tom inicial de culpar o presidente Lula (PT) pelas tarifas e afirmou que os Poderes precisam “estar de mãos dadas” para resolver a crise. “Acho que o momento demanda união de esforços, demanda sinergia, porque é algo complicado para o Brasil, é algo complicado para alguns segmento”, afirmou.
O discurso de que uma anistia seria necessária para o recuo na tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros tem sido vocalizada especialmente pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O parlamentar, que atualmente vive nos EUA, citou que seria necessária uma “anistia ampla, geral e irrestrita”.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também fez coro ao irmão e afirmou na sexta-feira que uma anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado seria o caminho para reverter a crise. “Eu imagino que é um gesto importante aprovar uma anistia ampla, geral e irrestrita, já que a carta dele [Trump] fala claramente que é uma ‘caça às bruxas’ a Bolsonaro”, alegou em entrevista à GloboNews.
Ação no STF contra Tarcísio
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), pediu nesta sexta-feira 11 ao Supremo Tribunal Federal uma investigação contra Tarcísio, por possíveis práticas de obstrução de Justiça e abuso de autoridade. A solicitação chegou ao ministro Alexandre de Moraes na ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado.
Lindbergh se baseia em uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo segundo a qual Tarcísio telefonou a ministros do STF para sugerir que a Corte autorizasse Jair Bolsonaro (PL) a viajar aos Estados Unidos para se encontrar com Donald Trump e supostamente negociar uma solução para o novo tarifaço contra o Brasil.
“Ainda que não tenha formalizado o pedido, o simples contato institucional revela disposição de violar a legalidade, pressionar a Corte Suprema e fragilizar o processo penal em curso”, sustenta. Alexandre de Moraes ainda não se manifestou sobre a solicitação.
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