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Avós da Praça de Maio encontram 140º neto roubado na ditadura argentina

O movimento tem se confrontado com o presidente ultraliberal Javier Milei por seu plano de cortes orçamentários

Avós da Praça de Maio encontram 140º neto roubado na ditadura argentina
Avós da Praça de Maio encontram 140º neto roubado na ditadura argentina
Créditos: Wikimedia Commons
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A organização Avós da Praça de Maio, que busca as crianças roubadas durante a ditadura argentina (1976-1983), anunciou a descoberta do 140º neto nesta segunda-feira 7.

“Felizmente, vão aparecendo estas vítimas pequenas que a ditadura cívico-militar fez”, declarou à emissora C5N Estela de Carlotto, presidente da organização, que dará os detalhes sobre o caso esta tarde durante uma coletiva de imprensa.

Carlotto, de 94 anos, antecipou que o novo neto encontrado é uma pessoa cuja irmã trabalha nas Avós. “Estou imaginando o abraço” entre os dois, disse, emocionada.

A descoberta anterior tinha ocorrido em janeiro e se tratou da filha de uma mulher de 25 anos, sequestrada em 1977 em Buenos Aires, quando estava grávida de 6 ou 7 meses, que deu à luz no cativeiro e segue desaparecida.

Em dezembro de 2024, foi divulgada a descoberta do 138º neto e em setembro, do 137º.

As Avós da Praça de Maio têm se confrontado com o presidente ultraliberal Javier Milei por seu plano de cortes orçamentários, entre outros, do Banco Nacional de Dados Genéticos (BNDG), onde estão resguardadas as amostras das famílias que buscam os desparecidos.

A organização conseguiu a intervenção da justiça para resguardar a integridade do BNDG, criado em 1987.

Desde que assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, Milei adotou várias medidas contra o que chamou de “roubo dos direitos humanos”.

Entre outras, ele rebaixou para subsecretaria a Secretaria de Direitos Humanos e anunciou o corte de 30% de seu pessoal.

Milei também eliminou por decreto a unidade de investigação sobre crianças desaparecidas durante a ditadura, subordinada à Comissão Nacional pelo Direito à Identidade (Conadi).

Segundo a organização, ainda falta encontrar cerca de 300 crianças nascidas em cativeiro ou sequestradas juntamente com seus pais.

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