Economia
Crise do IOF: Oposição fala em ‘guerra’; Planalto minimiza e aposta no recesso como trégua
Aliados de Lula dizem que ação no STF tem fundamento jurídico e negam confronto com o Congresso
A iniciativa da Advocacia-Geral da União de acionar o Supremo Tribunal Federal contra a derrubada do decreto do governo sobre o IOF provocou reações inflamadas de parlamentares da oposição, que voltaram a acusar o governo de afronta ao Legislativo.
O líder da oposição na Câmara, o deputado Zucco (PL-RS) afirmou, em nota, que o Executivo “declara guerra ao Congresso Nacional”. Em tom semelhante, o deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG), líder de sua bancada, classificou a ação como um “tiro no pé”. A declaração foi dada ao jornal O Globo.
A leitura da base governista é diferente. Interlocutores do Planalto ouvidos por CartaCapital relativizam a tensão e destacam o caráter técnico da medida. Reproduzem, inclusive, o discurso do advogado-geral da União, Jorge Messias, que reafirmou na manhã de terça-feira 1º que a decisão ‘é jurídica, não política’. “A preocupação do presidente não é atacar o Congresso”, disse Messias.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), também saiu em defesa de Lula. Em nota, disse que a judicialização da questão do IOF é uma medida “necessária para resguardar prerrogativas constitucionais do Executivo” e evitar que o Congresso avance sobre competências que não lhe cabem.
Outros congressistas da base também apostam que o recesso parlamentar, que se inicia nas próximas semanas, ajudará a “baixar a poeira” da crise. Um integrante do Palácio do Planalto afirmou que “não há clima para esticar a corda”, e que Lula seguirá buscando o diálogo com os presidentes da Câmara e do Senado.
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