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Promessa de neutralidade de carbono das big techs está cada vez mais fora da realidade, mostra estudo

A principal fonte de gases de efeito estufa no setor é a produção de eletricidade para os centros de dados

Promessa de neutralidade de carbono das big techs está cada vez mais fora da realidade, mostra estudo
Promessa de neutralidade de carbono das big techs está cada vez mais fora da realidade, mostra estudo
Meta. A empresa diz apoiar o debate sobre uma regulação complementar com “ampla participação da sociedade civil” – Imagem: iStockphoto
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Apple, Google, Microsoft, Meta e Amazon prometeram alcançar a neutralidade de carbono dentro de cinco a 15 anos, mas esses compromissos, formulados antes da ascensão da inteligência artificial, carecem de credibilidade devido ao alto consumo energético, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira 26 (noite da quarta 25 no Brasil).

Google, Apple e Meta se comprometeram a alcançar a neutralidade de carbono em 2030, a Amazon em 2040, e a Microsoft aspira a ter um saldo de carbono negativo em cinco anos, relembra o estudo realizado por especialistas em compromissos climáticos corporativos do NewClimate Institute e do Carbon Market Watch.

Esses objetivos estão baseados em metodologias de cálculo agora obsoletas e “não parecem estar ancorados na realidade”, explica Thomas Day, do NewClimate Institute, à AFP. Microsoft, Meta e Amazon recebem uma classificação de “medíocre” quanto à integridade de sua estratégia climática, enquanto as da Apple e Google são consideradas “moderadas”.

A principal fonte de gases de efeito estufa neste setor é a produção de eletricidade para os centros de dados, que fornecem a capacidade de cálculo para chatbots como o ChatGPT da OpenAI.

No entanto, isso explodiu em vez de diminuir: as emissões de CO2 relacionadas à energia elétrica consumida pelo Google quase dobraram entre 2019 e 2023, de acordo com um método de cálculo considerado mais preciso e baseado em seus próprios relatórios ambientais anuais.

“Há muitos investimentos em energias renováveis, mas, em geral, isso não compensa a fome de eletricidade do setor”, estima Thomas Day.

Empresas como a Google investiram maciçamente para que sua eletricidade provenha de fontes de baixa emissão de carbono (solar, eólica, nuclear, etc.).

Ambas as organizações especialistas sugerem recorrer a energias renováveis também para os centros de dados dos fornecedores desses serviços. De fato, alguns estudos estimam que metade da capacidade de cálculo em termos de centros de dados das empresas de tecnologia provém de subcontratados e muitas empresas ainda não contabilizam essas emissões, destaca o estudo.

O mesmo ocorre com toda a cadeia de abastecimento de infraestruturas e equipamentos, que representa pelo menos um terço da pegada de carbono das empresas de tecnologia, segundo os especialistas.

Somente a Apple tem como objetivo atingir 100% de energia renovável ao longo de sua cadeia de valor antes de 2030, enquanto as outras não estabeleceram uma meta concreta, apontam.

Prolongar a vida útil e usar componentes reciclados nos dispositivos eletrônicos é a outra solução promovida pelo estudo.

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