Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
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Luciana Mello celebra o samba: ‘Meu pai dizia que tinha que fazer um disco de sambão’
Filha de Jair Rodrigues apresenta novo álbum com participação estelar: Alcione, Leci Brandão, Marvvila, Simone, Mart’nália e Fabiana Cozza
Luciana Mello lembra quando o pai, Jair Rodrigues, pedia para ela: “Minha filha, você tem que fazer um disco de sambão. Você tem toda essa energia, canta muito bem o samba”.
Quando o inesquecível cantor partiu em 2014, ela gravou um disco em homenagem ao Jair Rodrigues intitulado Na Luz do Samba (2016). Embora ela já tenha sempre cantando samba nos 35 anos de carreira iniciada ainda criança, ali fez um mergulho profundo no gênero que ela recorda até hoje.
Agora, Luciana Mello lança seu nono álbum, chamado Casa da Lu, celebrando de novo, com profundidade, o samba, com participação estelar: Alcione, Leci Brandão – “grandes amigas de meu pai” -, Mart’nália– cujo pai, Martinho da Vila, foi amicíssimo de Jair Rodrigues -, Marvvila, Simone e Fabiana Cozza.
São nove faixas com três regravações: Só Quero te Namorar (Leci Brandão), com Leci Brandão, Milagre (Dorival Caymmi), com Simone e Coração de Malandro (Martinho da Vila e Gracia do Salgueiro), com Mart’nália.
As outras faixas inéditas têm diferentes compositores, desde o irmão Jair Oliveira a Xande Pilares e Walmir Borges, que mais uma vez produziu um disco de Luciana Mello.
Destaque entre as inéditas, Resiste e Samba (Jair Oliveira), com a participação magistral de Fabiana Cozza. É um dos grandes sambas lançados nos últimos tempos numa levada cadenciada, letra com profundidade e um duo de duas cantoras que exalam intensa identidade com o gênero.
“A música Resiste e Samba dá norte ao projeto. Estava falando com meu irmão (Jair Oliveira), disse que queria fazer um projeto chamando as mulheres do samba, principalmente porque no samba sinto muita resistência e só tem homens”, relata Luciana Mello.
Jair Oliveira, que hoje mora no exterior, captou a mensagem intrínseca da irmã e dois dias depois entregou uma obra-prima que fala da vida difícil, mas é no samba se encontra a fé: “Samba, samba que existe o samba/ Pro corpo sorrir com o samba/ Pra gente não desistir de seguir”.
“Ela traz muito sobre os brasileiros, sobre essa rotina do povo que gosta de samba, que vive essa cultura do samba, que acorda, vai trabalhar. A primeira vez que eu ouvi, chorei”, conta a cantora.
O disco está bem produzido por Walmir Borges e atende quem busca um bom disco de samba lançado esse ano. Luciana Mello caminhou pelo pop e a MPB, mas o samba veste bem nela.
“Gravo coisas que gosto, coisas que quero. Gosto de estar junto com as pessoas que eu quero. Isso é a vantagem de ser uma artista independente”, diz. “O samba é minha casa. Por isso que falo que é Casa da Lu (nome do disco). Cresci ouvindo muito samba”, conta.
Luciana Mello diz ainda que a reunião de várias pessoas no álbum vem da escola do pai. “Tem um lance muito ruim (na música) que é o ego. Quando o ego vem na frente da música me incomoda bastante. Vi que muitas pessoas colocavam isso na frente. Não vim dessa escola. Jair Rodrigues era uma pessoa que juntava todo mundo. Muitas pessoas falam que iam na casa de meu pai. Meu pai gostava de juntar as pessoas”, revela.
O lançamento do disco Casa da Lu será o dia 8 de junho, no Galpão Zona Norte, em São Paulo (SP).
Assista à entrevista de Luciana Mello a CartaCapital:
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