Política

Após dizer que morrerá na cadeia, Bolsonaro volta a tentar atrasar o processo da trama golpista

Os advogados do ex-presidente entraram com um novo recurso pedindo mais tempo para analisar as provas

Após dizer que morrerá na cadeia, Bolsonaro volta a tentar atrasar o processo da trama golpista
Após dizer que morrerá na cadeia, Bolsonaro volta a tentar atrasar o processo da trama golpista
O ex-presidente Jair Bolsonaro, em 26 de março de 2025, após se tornar réu no STF. Foto: Evaristo Sa/AFP
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A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou nesta sexta-feira 16 uma nova tentativa de adiar os depoimentos de testemunhas no processo sobre a suposta trama golpista no Supremo Tribunal Federal, previstas para a próxima semana.

O pedido vem após o ex-capitão afirmar que morrerá na cadeia, caso seja condenado pelo STF. “Não vou sair do Brasil. Me prenda. Está previsto 40 anos de cadeia. Me prendam. Estou com 70, já, quase morri na última cirurgia. Vou morrer, não vai demorar”, declarou Bolsonaro ao canal AuriVerde Brasil no YouTube nesta sexta. “Eu com 40 anos de cadeia no lombo, não tenho recurso para lugar nenhum, eu vou morrer na cadeia”.

Segundo os advogados, a defesa não teve tempo para analisar todas as provas coletadas no processo, que somam quase 40 terabytes. Os documentos foram enviados aos advogados nesta semana, após ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

“As audiências para oitiva de todas as testemunhas terão início já na próxima segunda-feira, antes mesmo de a defesa ter oportunidade de efetivamente acessar esta prova. E a instrução se encerrará em 17 dias, sem que exista tempo hábil para conhecer e utilizar outras mensagens que, assim como a destacada pela imprensa, tem o condão de alterar a narrativa hoje posta nos autos”, diz.

Esta é o segundo pedido de adiamento da defesa de Bolsonaro nesta semana. Na quarta-feira 14, os advogados do ex-presidente já tinham recorrido ao Supremo usando os mesmos argumentos.

Serão ouvidos na segunda-feira 19 o ex-comandante do Exército Marco Antônio Freire Gomes e o ex-chefe da Marinha Carlos de Almeida Baptista Junior têm depoimentos marcados para a próxima segunda-feira, dia 19.

Outras testemunhas, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o presidente do PL, Valdemar da Costa Netto, devem ser ouvidas ainda em maio.

O ex-presidente se tornou réu em março deste ano, acusado dos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Fazem companhia ao ex-presidente no chamado “núcleo 1” – o chamado “núcleo crucial” – Alexandre Ramagem, Almir Garnier Santos, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.

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