Sociedade
Moradores protestam contra iniciativa de Tarcísio de acabar com a Favela do Moinho, no centro de SP
O grupo não conseguiu acessar a Câmara, mas deixou o local com a promessa de que terá uma audiência com vereadores
Moradores da Favela do Moinho, conhecida como a última favela no centro da cidade de São Paulo, protestaram nesta terça-feira 15 contra a decisão do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) de demolir a comunidade para transformar a área em um parque.
A mobilização, convocada pela Associação de Moradores do Moinho, saiu em direção à Câmara Municipal. CartaCapital apurou que o grupo não conseguiu acessar a Casa, mas deixou o local com a promessa de que terá uma audiência com vereadores na próxima terça-feira 22, dia em que as remoções tendem a começar.
Políticos participaram do protesto nesta terça, a exemplo da vereadora Keit Lima (PSOL). Os manifestantes se opõem ao plano da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo, a CDHU, de realocar os moradores em outras regiões.
A principal reclamação é que as moradias, em sua maioria próprias, seriam substituídas por imóveis financiados e fora do centro, com menos acesso a creches, oportunidades de trabalho e infraestrutura necessária para as famílias.
A CDHU sustenta que 86% das 813 familiares deram início ao processo de adesão e que 444 já têm um imóvel de destino definido. O acordo prevê um auxílio de 2.400 reais para a mudança e um auxílio-moradia mensal de 800 reais durante a espera.
A associação que representa os moradores, porém, considera os valores insuficientes para pagar um aluguel no centro e argumenta que essas pessoas não têm condições de arcar com um financiamento de longo prazo, uma vez que muitas delas vivem do comércio local.
O grupo defende, portanto, o direito de continuar no centro e avalia que a Polícia Militar tem agido para intimidar e pressionar a comunidade a aceitar o acordo.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública confirmou que a PM realizou Operação Dignidade na região dos Campos Elíseos e do Bom Retiro, incluindo a comunidade do Moinho, para “reforçar o patrulhamento e combater a criminalidade de forma estratégica”.
A Corregedoria da PM afirmou não compactuar com “excessos ou desvios de conduta de seus agentes” e disse que punirá “exemplarmente todos que infligem as leis e os protocolos estabelecidos pela corporação”.
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