Política
‘Não vai dar certo’: a nova reação de Lula ao ‘cavalo de pau’ dos EUA sob Trump
Na visão do petista, o magnata inverte uma lógica adotada pelos norte-americanos há décadas, baseada no sistema de livre comércio
O presidente Lula (PT) voltou a criticar a política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que arrasta centenas de países – inclusive o Brasil – para sua guerra comercial.
“Eu estou vendo o comportamento do presidente do Trump nos Estados Unidos. Não sei o que vocês pensam, mas eu acho que não vai dar certo. Não vai dar certo”, disse o petista, em um evento em São Paulo. “Ninguém pega um transatlântico daquele carregado, muito carregado, e faz as coisas que estão acontecendo lá.”
Tendo como principal alvo a China, Trump anunciou na semana passada uma longa lista de novas tarifas para produtos importados. O Brasil, por exemplo, recebeu uma taxa generalizada de 10%. Apesar de essa tarifa ser inferior à de outros países, integrantes do Itamaraty e do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio seguem em tratativas com os norte-americanos, na busca por atenuar os efeitos da disputa comercial.
Na visão de Lula, Trump inverte uma lógica adotada pelos EUA há décadas, baseada no sistema de livre comércio.
“Quantos anos vocês passaram ouvindo que era preciso defender o livre comércio e a globalização e combater o protecionismo?”, questionou. “E, de repente, o mundo tem um cavalo de pau em que um cidadão, sozinho, acha que é capaz de ditar regras para tudo o que vai acontecer no mundo.”
O governo ainda não anunciou se pretende retaliar os EUA – como fez a China, ao aplicar uma sobretaxa de 34% a produtos norte-americanos – ou se focará na negociação. Sem dar detalhes, Lula disse que as medidas precisam levar em consideração a realidade brasileira e “o País que queremos”.
O evento também contou com a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente do STF, Luis Roberto Barroso. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Ainda no evento desta terça, o presidente falou sobre o cenário interno, dizendo que “não dá para governar o Brasil com mentira”.
“Já vimos isso, não dá certo, por isso é importante definir qual País que queremos. Precisamos de ter estabilidade política, voltar a ter civilidade, com estabilidade jurídica e econômica, fiscal e social, além de previsibilidade.”
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