Política
Nunes lança ‘prisômetro’ em meio a críticas da Defensoria sobre reconhecimento facial no Carnaval
O painel vai contabilizar em tempo real o número de prisões realizadas na capital por meio do Smart Sampa
A Prefeitura de São Paulo lançou, nesta terça-feira 25, o ‘prisômetro’, um painel que contabiliza em tempo real o número de prisões realizadas na capital por meio do Smart Sampa, um sistema de câmeras de segurança que usa técnicas de reconhecimento facial para identificar suspeitos, foragidos e pessoas desaparecidas.
O nome do painel se inspira no ‘impostômetro’, painel fixado na Associação Comercial do estado, no Centro Histórico da capital, e que contabiliza os valores arrecadados anualmente em impostos, taxas e contribuições às diferentes esferas do poder público no Brasil.
O lançamento do painel ocorre dias depois do prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciar o uso da tecnologia de reconhecimento facial nos blocos de carnaval. O anúncio foi feito pelo emedebista na última quinta-feira 20.
A medida foi criticada pela Defensoria Pública de São Paulo que, no dia seguinte, encaminhou um ofício à gestão municipal pedindo a suspensão da medida, e a garantia de que os foliões pudessem se manifestar livremente sem ‘vigilância’ por parte da Prefeitura.
O órgão ainda pediu que a Prefeitura garanta um registro “transparente e auditável de todas as decisões sobre o uso da tecnologia”, e que seu uso em blocos de carnaval e em manifestações seja apenas para o caso “excepcional de busca por um participante no percurso da manifestação, que haja o procedimento devidamente registrado e justificado”.
A Defensoria segue recomendações da ONU, e não se posiciona contra as prisões de foragidos, mas ao fato de a PM invadir bloco de rua para “caçar” pessoas colocando em risco os foliões.
Durante a inauguração do “prisômetro”, o prefeito Ricardo Nunes disse que manterá o uso do Smart Sampa no carnaval e criticou a atuação da Defensoria.
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