Sociedade

Morre jovem baleado na cabeça por supostamente ter pisado no pé de traficante no RJ

Kauan Galdino, de 18 anos, teve morte cerebral nesta sexta-feira. A família dele autorizou a doação dos órgãos a ‘pacientes que aguardam na fila de transplantes’

Morre jovem baleado na cabeça por supostamente ter pisado no pé de traficante no RJ
Morre jovem baleado na cabeça por supostamente ter pisado no pé de traficante no RJ
Reprodução/redes sociais
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O jovem Kauan Galdino Florêncio Pereira, de 18 anos, teve morte cerebral nesta sexta-feira 3 após ser baleado na cabeça em um baile funk na favela São Simão, em Queimados (RJ), na madrugada do dia 1º. O motivo do disparo, segundo o pai do rapaz, seria o fato de ele ter pisado no pé de um traficante.

A confirmação da morte cerebral consta de boletim médico divulgado pelo Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, onde Kauan estava internado em estado gravíssimo. Os órgãos do jovem serão doados a “pacientes que aguardam na fila de transplantes”, informou a prefeitura do município da Baixada Fluminense.

Por meio de nota, a Polícia Militar afirmou que abriu dois inquéritos sobre o caso: um para apurar o homicídio contra o jovem e outro para investigar a morte do suposto atirador, que teria sido ordenada por lideranças da facção criminosa Comando Vermelho.

“Um pisão no pé é o motivo para atirarem em um garoto sonhador?”, questionou o pai da vítima em entrevista à TV Globo. O motorista de aplicativo Renato Pereira afirmou que o filho passou a virada de ano com a família e decidiu ir ao baile funk de madrugada, por volta das 3h. 

“Como ele é jovem, emocionado, disse que iria para a casa do parente dele. Eu ainda pedi: ‘Meu filhinho, não vai. Não vai, por favor’. Mas ele é jovem. Ele foi. Depois, bateram lá no portão de casa dizendo que o meu filho tinha sido baleado”, afirmou. 

A família ainda não sabe detalhes do que aconteceu, segundo Renato. “O que sabemos é que o bandido deu um tiro à queima-roupa no meu filho. Atirou num menino estudioso. Fizeram uma covardia com um menino que é bobão, quieto, que só tinha tamanho”, lamentou.

Kauan, segundo o pai, estava feliz porque havia sido informado de que serviria na Brigada de Infantaria Paraquedista, um dos seus sonhos. “Quando entrou 2025, ele recebeu uma mensagem no telefone dizendo que ele iria para um batalhão para ser paraquedista. Meu filho começou a dançar e pular de alegria. Ele tinha dois sonhos: ser jogador e paraquedista”, disse.

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