Política

Ex-ministro da Defesa chamou Bolsonaro de ‘ingrato’ após fuga para os EUA

A conversa entre Paulo Sérgio Nogueira e Mauro Cid consta do relatório da PF sobre o inquérito do golpe

Ex-ministro da Defesa chamou Bolsonaro de ‘ingrato’ após fuga para os EUA
Ex-ministro da Defesa chamou Bolsonaro de ‘ingrato’ após fuga para os EUA
O ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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O general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ex-ministro da Defesa, chamou Jair Bolsonaro (PL) de “ingrato” no início de 2023. No centro da insatisfação estava o fato de o ex-presidente não ter respondido aos seus contatos após viajar aos Estados Unidos no fim de 2022.

“Mando mensagem pro PR, mas ele não fala nada, apenas encaminha o de sempre. Chega a ser ingrato, mas tudo bem”, escreveu Nogueira ao tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, em 19 de janeiro, onze dias após os ataques golpistas às sedes dos Três Poderes. “Vamos em frente! Quais são os planos dele, volta quando? Estamos aqui, acompanhando tudo e defendendo sempre o PR. Abraço! Selva!”

Em 2 de janeiro, Cid havia enviado uma notícia a Nogueira e demonstrado preocupação com o risco de ser preso por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

“Eu tenho que me preparar para todas as LA [linhas de ação] que o inimigo possa tomar”, disse o tenente-coronel. “Concordo Amigo! Eu também!!!!”, respondeu o general. Segundo a PF, Nogueira, ex-comandante do Exército, evidencia no diálogo “sua participação nos atos relacionados a tentativa de golpe de Estado”.

As conversas constam do relatório em que a PF indiciou Bolsonaro, Cid, Nogueira e mais 34 pessoas pela conspiração de 2022.

Paulo Sérgio Nogueira, concluiu a polícia, “atuou de forma concreta para tentar pressionar os então Comandantes das Forças Armadas a aderirem ao plano de golpe de Estado, visando garantir o suporte armado para as medidas de exceção que seriam adotadas pelo então presidente Jair Bolsonaro”.

Cid, por sua vez, “atuou em diversos núcleos da estrutura da organização criminosa com a finalidade de desestabilizar o Estado Democrático de Direito, com o fim de obtenção de vantagem consistente em tentar manter o então presidente da República Jair Bolsonaro no poder, a partir da consumação de um golpe de Estado e da Abolição do Estado Democrático de Direito, restringindo o exercício do Poder Judiciário e impedindo a posse do então presidente da República eleito”.

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