Educação
Após apologia à violência, PM do Tocantins define regras para cânticos militares em escolas
As normas surgem depois de estudantes do Colégio Militar Euclides Bezerra Gerais entoarem um cântico violento, sob orientação de um policial
A Polícia Militar do Tocantins publicou regras para a execução de cânticos em escolas militares, após estudantes do Colégio Militar Euclides Bezerra Gerais, em Paranã, entoarem uma música violenta sob orientação de um PM.
Segundo a normativa, as canções militares devem partir de premissas como “o respeito à dignidade da pessoa humana, os direitos humanos, os valores cívicos, a bravura, a honra, a disciplina, o espírito de corpo e o cumprimento do dever”.
Ainda de acordo com o texto, as canções devem contar com uma letra que exalte valores como o patriotismo e a identidade institucional, mencionando a missão, a história e a tradição da corporação.
Os detalhes da portaria foram redigidos pelo comandante-geral da PM-TO, o coronel Márcio Antônio Barbosa de Mendonça, e publicados no Diário Oficial do estado na última sexta-feira 22.
Conforme o texto, o uso de linguagem que possa incitar ações ilegais, discriminação ou preconceito fica expressamente proibido nos cânticos militares. O descumprimento pode gerar sanções disciplinares e penais.
As normas vêm à tona dias depois de estudantes do 6º ao 9º anos serem flagrados em uma atividade escolar repetindo um cântico violento, em uma espécie de jogral. Eles diziam, em coro: “Tu vai lembrar de mim, sou taticano maldito [referência à Força Tática da PM] e vou pegar você. E se eu não te matar, eu vou te prender. Vou invadir sua mente, não vou deixar tu dormir, e nas infiltrações você vai lembrar de mim“.
Após o caso, o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) determinou à PM o imediato afastamento do diretor da instituição e dos demais militares envolvidos nas atividades escolares. Em manifestação, a Secretaria de Educação considerou se tratar de um “caso isolado” que não reflete a realidade das escolas cívico-militares.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Professores da rede municipal do Rio anunciam greve por tempo indeterminado
Por Ana Luiza Basilio
‘Se eu não te matar’: Diretor de escola militar do Tocantins é afastado após cântico violento
Por Ana Luiza Basilio
Aposta na ignorância
Por Mariana Serafini
Câmara aprova projeto que autoriza uso de R$ 4 bilhões para custear o Programa Pé de Meia
Por Agência Câmara



