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Declaração do G20 menciona guerras em Gaza e na Ucrânia sem condenar Israel e Rússia
Pouco antes da divulgação, o presidente da Argentina, o ultradireitista Javier Milei, afirmou rejeitar parte do documento
A declaração final da cúpula do G20, divulgada na noite desta segunda-feira 18, faz menções explícitas às guerras na Faixa de Gaza e na Ucrânia. Não condena, contudo, Israel e Rússia. Foi uma forma de viabilizar o acordo em torno do texto e evitar um veto — os Estados Unidos, por exemplo, são aliados do governo israelense.
Compõem o G20 as 19 maiores economias do planeta, mais a União Europeia e a União Africana. Na cúpula, realizada no Rio de Janeiro entre esta segunda-feira e a terça 19, o Brasil transmitirá a presidência do grupo à África do Sul.
Pouco antes da publicação da declaração final, o presidente da Argentina, o ultradireitista Javier Milei, afirmou rejeitar parte do documento. Ele assegurou que o texto teria a assinatura do país, mas que seu governo não acompanha temas como “a limitação da liberdade de expressão nas redes sociais” ou a “noção de que uma maior intervenção estatal é a forma de lutar contra a fome”.
A Argentina também se somou com reservas à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada nesta segunda pelo presidente Lula (PT), o anfitrião do encontro.
O documento final se refere à “situação humanitária catastrófica na Faixa de Gaza e a escalada no Líbano” e enfatiza a “necessidade urgente de expandir o fluxo de assistência humanitária e reforçar a proteção de civis”.
“Afirmando o direito palestino à autodeterminação, reiteramos nosso compromisso inabalável com a visão da solução de dois Estados, onde Israel e um Estado palestino vivem lado a lado, em paz, dentro de fronteiras seguras e reconhecidas”, diz o texto. “Estamos unidos em apoio a um cessar-fogo abrangente em Gaza (…) e no Líbano, que permite que os cidadãos retornem em segurança para suas casas em ambos os lados da Linha Azul.”
Em relação ao conflito na Ucrânia, o texto cita “o sofrimento humano e os impactos negativos adicionais da guerra no que diz respeito à segurança alimentar e energética global, cadeias de suprimentos, estabilidade macrofinanceira, inflação e crescimento”.
“Saudamos todas as iniciativas relevantes e construtivas que apoiam uma paz abrangente, justa e duradoura, mantendo todos os Propósitos e Princípios da Carta da ONU para a promoção de relações pacíficas, amigáveis e de boa vizinhança entre as nações.”
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